Leite era adulterado com soda cáustica, citrato de sódio e água, afirma Gaeco Sirli Freitas/Agencia RBS

Foram cumpridos 21 mandados de buscas e apreensões em unidades industriais, residências e propriedades rurais

Foto: Sirli Freitas / Agencia RBS

Dezesseis pessoas foram presas na manhã desta segunda-feira acusadas de envolvimento na adulteração do leite em Santa Catarina. As prisões foram efetuadas nas cidades de Cordilheira Alta, Coronel Freitas, Novo Horizonte, São Bernardino, Santa Terezinha do Progresso e Formosa do Sul, todas no Oeste de SC —, além de Iraí, no Rio Grande do Sul. Esta é a terceira operação no Estado relacionada ao tema. Os nomes das empresas envolvidas no esquema não foram divulgados.

De acordo com o Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) de Chapecó (SC), o leite foi distribuído em Santa Catarina, e encaminhado para as indústrias do Paraná e de São Paulo. Ainda não há como precisar a quantidade de produtos adicionados, nem quantos lotes foram adulterados e o Ministério da Agricultura trabalha na inspeção dos locais investigados para fazer o recall necessário.

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Segundo o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), as investigações da operação "Leite Adulterado III" começaram em maio deste ano e, diferentemente das operações "Leite Adulterado I e II", não envolvem somente leite, mas também derivados, e estão focadas nas transportadoras e nos produtores.

Em coletiva na tarde desta segunda-feira, o Gaeco informou que os produtos eram adulterados na produção e também durante o transporte. As práticas são semelhantes às observadas nas operações anteriores, usando soda cáustica, citrato de sódio e água, colocados dentro dos caminhões de transporte.

Os agentes encontraram os produtos químicos escondidos em galpões, carro e casas dos funcionários das transportadoras. Foram cumpridos 16 mandados de prisões, sendo 11 homens e 5 mulheres, além do cumprimento de 21 mandados de buscas e apreensões em unidades industriais, residências e propriedades rurais. O MPSC tem dez dias para finalizar a investigação. 

— Não temos tolerância com o caso e vamos mudar este cenário – declarou o promotor Fabiano Baldissarelli, coordenador do Gaeco.

Suplente da Assembleia Legislativa de SC estaria envolvido

Uma das plantas industriais onde ocorreria a fraude já era monitorada desde 2007 devido a laudos que mostravam suspeitas de adulteração. O local pertenceria ao empresário Daniel Tozzo, de Chapecó, um dos presos nesta segunda. 

Tozzo foi suplente de deputado estadual nas últimas eleições e chegou a assumir uma cadeira do PSD na Assembleia por cerca de dois meses neste ano devido à licença de outro deputado. Conforme revelou o Gaeco em entrevista coletiva, ele seria um dos principais envolvidos no caso.


O DC tentou contato com um dos advogados de Tozzo, que não atendeu as ligações. O defensor respondeu por mensagem de texto que retornaria a ligação, o que não aconteceu até as 21h40min desta segunda-feira.

DIÁRIO CATARINENSE
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