Mercado Público de Florianópolis não ficará pronto antes do final da temporada Charles Guerra/Agencia RBS

Obras da ala sul devem consumir mais R# 3 milhões

Foto: Charles Guerra / Agencia RBS

Dia 18 de janeiro de 2015, ou daqui a exatos 100 dias. Essa é a data prevista em contrato para a conclusão da reforma do Mercado Público de Florianópolis, em obras desde novembro do ano passado. Mas o prazo não será cumprido e a Capital catarinense deve oferecer aos turistas na próxima temporada de verão um dos seus principais monumentos históricos pela metade.

O prognóstico pouco animador é da própria Prefeitura de Florianópolis que, além da extensão do prazo, calcula um novo acréscimo no orçamento da obra — dessa vez em cerca de  R$ 3 milhões. Em abril deste ano, um aditivo de pouco mais de R$ 1,5 milhão já tinha feito a reforma passar de R$ 7,2 para R$ 8,8 milhões.

:: Leia mais: Comerciantes aguardam pelo retorno do Mercado Público
Comércio do Centro de Florianópolis sente impacto com baixo movimento

>> Veja página especial sobre o Mercado Público de Florianópolis.

Firmado em outubro de 2013, o contrato original previa a conclusão das obras até 19 de julho deste ano, mas um aditivo esticou o prazo por seis meses. Com a nova modificação que está sendo preparada pelo poder público, a atual reforma vai contabilizar três aditivos. Duas obras anteriores no Mercado, também feitas pela JK Engenharia de Obras, tiveram seis e oito aditivos cada. Para o mestre em ciência jurídica e professor de direito administrativo da Univali, Natan Ben-Hur Braga, esses acréscimos indicam falhas na elaboração dos editais de licitação.

— Antes de fazer o edital, uma equipe especializada do poder público deve analisar o imóvel. Por isso, todas as ações da obra devem estar previstas nesse edital. Mas não é isso que vemos no Brasil, onde obras chegam a custar o dobro do contrato original. Nenhuma obra privada tem tantos acréscimos. Isso é resultado de um edital mal elaborado — diz o professor.

Puxadinhos atrasam restauro

Uma escada aqui, uma laje para um depósito ali, mais um piso extra acolá e pronto: o prédio histórico inaugurado em 1928 fica praticamente todo desfigurado. As modificações feitas em 86 anos de funcionamento se tornaram no principal obstáculo para a agilidade na obra de restauro, segundo Dalton da Silva, engenheiro da Secretaria Municipal de Obras e responsável pela fiscalização da reforma do Mercado. A empresa responsável calcula ter retirado mais de 100 caçambas cheias de entulho gerado por obras irregulares, e a ala sul ainda está na metade dos trabalhos.

— Não havia controle, então cada comerciante fez a modificação que quis. Isso provocou inclusive o desabamento do telhado que ocorreu em julho. Uma laje mal colocada por um comerciante prejudicou a estrutura de sustentação da cobertura — explica Dalton.

Responsável também pela elaboração do edital de licitação da obra, Dalton afirma que os aditivos são normais em obras complexas como o restauro de um bem tombado.

— Algumas patologias da obra nós só fomos descobrir quando os comerciantes saíram e pudemos tirar os mobiliários. Então agora, após analisar a estrutura da ala Sul, estamos produzindo mais um aditivo, que deve ser em torno de R$ 3 milhões e estender o prazo de conclusão — disse Dalton, sem precisar a nova data.

A reportagem entrou em contato com a construtora JK Engenharia de Obras Ltda., que respondeu que "por força do contrato", apenas a prefeitura poderia se pronunciar sobre a situação da reforma.

DIÁRIO CATARINENSE
 Veja também
 
 Comente essa história