Ministro da Justiça confirma vinda de tropas da Força Nacional de Segurança a Santa Catarina Marco Favero/Agência RBS

Ministro está em reunião com o governador e secretários estaduais

Foto: Marco Favero / Agência RBS

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, anunciou nesta noite em Florianópolis que Santa Catarina receberá reforço de tropas da Força Nacional de Segurança no combate aos atentados que atingem o Estado há uma semana. Não se sabe ainda quando os integrantes chegam às cidades catarinenses.

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O ministro disse que a atuação será diferente daquela realizada em fevereiro de 2013, quando as tropas federais agiram nos presídios catarinenses para garantir a transferência dos líderes da facção criminosa Primeiro Grupo Catarinense (PGC) a prisões federais.

Desta vez, segundo o ministro, a Força vai atuar diretamente com a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal num plano de intervenção e ação integrada.

Em razão do sigilo das operações previstas, ele não detalhou quais serão as missões, não falou do efetivo que será deslocado ao Estado, dia da chegada nem o tempo de permanência.

— Ela (Força Nacional) virá com rapidez, vocês verão — disse o ministro, que não quis comentar possíveis novas ações de transferências de presos do sistema prisional estadual para presídios federais.

Cardozo avaliou a situação das prisões catarinenses, às quais conforme ele melhoraram muito desde 2012.

Ele destacou a necessidade de um plano nacional de integração das polícias para enfrentar de forma permanente o crime organizado e evitar ataques como os registrados em Santa Catarina.

Sobre as eleições de domingo em meio aos ataques, o ministro declarou que se necessárias serão tomadas todas as medidas necessárias para garantir o processo.

Cardozo permanece à noite em reunião no Centro Administrativo com o governador em exercício, Nelson Schaefer Martins, e a cúpula da segurança estadual e do sistema prisional.

Ele afirmou que continuará no Estado neste sábado, quando dará outras informações sobre a ação do governo federal em nova entrevista coletiva que será marcada.

Confira algumas declarações do ministro em entrevista coletiva:

"Temos absoluta clareza que somente através da integração das forças estaduais e federais podemos enfrentar com a eficiência necessária o crime organizado. Isso temos feitos em vários pontos do país, já fizemos anteriormente em Santa Catarina e faremos novamente.

O Estado brasileiro integrado quando age de forma coordenada é muito mais forte que o crime organizado.

Esse plano já está esboçado. Trabalharemos durante à noite de hoje no detalhamento desse plano. Eu não vou poder falar as linhas gerais e peço desculpas, mas em segurança pública o sigilo das informações é fundamental para o êxito das atividades.

Em linhas gerais temos um plano de intervenção conjunto, solidário com o governo de Santa Catarina para o enfrentamento do crime organizado.

Haverá o reforço do efetivo da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal com o auxílio da Força Nacional de Segurança nas tarefas que forem assumidas pelo Ministério da Justiça neste plano de integração.

Tivemos aqui em 2012 quando fizemos um diagnóstico conjunto no sistema prisional e melhoraram muito as condições dos presídios locais. Muita coisa existe ainda para fazer, mas cumprimento o Estado de SC pelas ações que tiveram em relação ao sistema prisional.

Agiremos com muita integração e muito rigor.

Temos um grupo de inteligência que faz uma análise muito integrada com a inteligência de SC. Até agora não há nenhum indicador que isso tenha acontecido e nenhuma situação que possa confirmar essa realidade (sobre ordem dos ataques terem partido de criminosos catarinenses recolhidos no presídio federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte).

Ações dessas natureza acontecem justamente em razão do combate. Quando você desenvolve muitas ações rigorosas, elas (facções) reagem, seja asfixiá-las economicamente, a lavagem de dinheiro, os locais de comercialização de drogas, elas reagem.

A organização criminosa é como uma doença, muitas vezes quando você não a ataca ela cresce, toma conta do corpo e te mata. Mas quando você detecta e ministra essa situação, ela reage."

A Força Nacional:





Confira no mapa os locais onde os ataques aconteceram:



A Secretaria de Segurança Pública e as polícias Civil e Militar afirmam oficialmente que a causa mais provável para entender as razões das ações está diretamente ligada ao próprio resultado das forças policiais no enfrentamento do crime, com significativas apreensões de drogas e até as operações que acabaram com as mortes de criminosos em confrontos.

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DIÁRIO CATARINENSE
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