Deputado federal até o final de janeiro deste ano, o catarinense João Pizzolatti (PP) é alvo de cinco dos 21 inquéritos abertos para investigar políticos suspeitos de integrar esquemas de corrupção na Petrobras. De acordo com o Ministério Público Federal, o pepista seria um dos principais beneficiários e intermediário direto de propinas pagas por empresas que mantinham negócios com a estatal para deputados do PP.

As denúncias têm como base as delações premiadas feitas pelo doleiro Alberto Youssef e o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa. Ambos apontam que Pizzolatti “compunha o grupo de parlamentares do PP que, de maneira estável e permanente, atuava visando a manutenção e operacionalização do esquema”, nas palavras do procurador-geral Rodrigo Janot.


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De acordo com Youssef, esse grupo de deputados pepistas incluía Mario Negromonte, Nelson Meurer e Pedro Correa. O doleiro afirmou que esses quatro parlamentares receberiam de R$ 250 mil a R$ 500 mil por mês e intermediavam a divisão do resto – de R$ 1,2 milhão a R$ 1,5 milhão – com os demais deputados do partido.

A origem dos recursos seriam as propinas cobradas por Costa junto às empresas que mantinham negócios com a Petrobras e participavam de suposto cartel. Dos inquéritos que tratam da participação de Pizzolatti, dois envolvem pagamento de propina por empreiteiras – Andrade Gutierrez e Mendes Junior – por conta de contratos ligados a refinarias da estatal no Paraná e no Rio de Janeiro. Outro envolve um suposto pagamento de propina pela empresa Brasken para obter preços melhores para os derivados de petróleo que compra da Petrobras – seriam US$ 5 milhões anuais.

Também são investigados desvios de recursos do caixa da Petrobras, segundo Youssef utilizados nas campanhas eleitorais de pepistas, incluindo Pizzolatti. Em sua delação, Costa admitiu que a expressão “Piz 5,5” encontrada em uma de suas agendas se refere ao ex-parlamentar catarinense e uma suposta propina de R$ 5,5 milhões. Também admitiu que outros R$ 560 mil teriam sido repassados a um advogado de
Pizzolatti, para “resolução de algum problema na área eleitoral”.

Em 2014, barrado pela Ficha Limpa, Pizzolatti desistiu de concorrer. Mesmo sem mandato, Rodrigo Janot defendeu que Pizzolatti tenha os cinco inquéritos analisados no STF. O procurador-geral alegou que os fatos ligados ao catarinense têm “conexão direta e umbilical” com os relativos aos atuais deputados do PP investigados.

Um sexto inquérito, sem ligação com a Petrobras, não será analisado pela corte suprema por não ter relação direta com a Petrobras.

A reportagem do Diário Catarinense tentou falar com Pizzolatti através de ex-assessores, familiares e telefones fixos de Blumenau registrados em seu nome. Nenhum telefonema foi atendido ou teve retorno.

*Colaborou Gabriel Rosa

DIÁRIO CATARINENSE
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