Saiba o que muda com as novas regras do financiamento da Caixa Econômica Federal Charles Guerra/Agencia RBS

Com novas regras, Caixa estimula a compra de imóveis novos e reduz o percentual financiável dos usados

Foto: Charles Guerra / Agencia RBS

CORREÇÃO: Até 12h25min do dia 30 de abril, este site informou equivocadamente que imóveis na faixa entre R$ 170 mil até R$ 650 mil em Santa Catarina tiveram o total que pode ser financiado pela Caixa Econômica alterado. Na verdade, segundo as regras da CEF, o valor de R$ 170 mil só vale para Florianópolis. Nas demais cidades, o valor inicial varia entre R$ 115 mil e R$ 145 mil. O texto foi corrigido.

A Caixa Econômica Federal aumentou duas vezes neste ano os juros do financiamento imobiliário e, na última segunda-feira, reduziu o percentual de recursos da poupança que podem ser utilizados para comprar apartamentos usados (de uma máximo de 80% para um mínimo de 40%) e já tinha reduzido para novos (de 90% para 80%). As mudanças passam a valer a partir do dia 4 de maio.

Entenda abaixo o que permanece e o que muda no banco que é o responsável pela maior parte dos financiamentos imobiliários do país.

 Caixa Econômica reduz teto de financiamento para imóveis usados


Muda alguma coisa no financiamento que eu já pago?

Não. Não muda muda. O que assinado foi, assinado está. É ruim quando os juros caem (e você está pagando mais do que os novos contratos). Mas é bom nesses momentos em que o custo do crédito está em alta. Não vai mudar quanto você paga de juros dentro do contrato que já está feito.

O que muda então?

Os imóveis na faixa entre R$ 170 mil até R$ 650 mil em Florianópolis, no Rio Grande do Sul e na maior parte dos Estados, tiveram o total que pode ser financiado pela Caixa Econômica alterado. Nos municípios com população igual ou superior a 50 mil habitantes, o valor inicial é de R$ 115 mil até R$ 650 mil. Já para municípios com população igual ou superior a 250 mil habitantes, a faixa é de R$ 145 mil até R$ 650 mil. Em apartamentos novos, por exemplo, o percentual caiu de 90% para 80% — ou seja, quem quiser comprar vai ser obrigado a desembolsar mais para comprar. Mas a maior mudança foi em imóveis usados, que caíram de 80% e 70%, dependendo da linha de financiamento, para 50% e 40%. Na hora da compra, agora vai ter que já pagar a metade ou mais do valor total da casa ou do apartamento. Quem escolher comprar pelo programa Minha Casa Minha Vida ou com recursos do FGTS, não terá nenhuma alteração.

Quem é afetado?

Duas “categorias” são os mais afetados pela mudança. Primeiro, quem comprou apartamentos na planta como investimento. Mesmo sem nunca ter usado o imóvel, assim que receber a chave da construtora ele será considerado usado. E deve ficar mais complicado vender com essas novas regras. A expectativa do mercado é que haja uma redução da procura, e uma queda nos preços para tentar compensar a demanda.
O segundo grupo de pessoas que será prejudicado é aquele formado por quem já firmou neste mês contratos de compra e venda em imobiliárias, mas ainda não conseguiu fazer o contrato de financiamento com a Caixa. Assinaram a promessa de que comprariam um apartamento, por exemplo, em uma situação e agora ela é outra.

É possível que ocorram cancelamentos de contratos com construtoras, por parte de quem comprou na planta o imóvel. Também é provável que algumas pessoas tenham que desistir do sonho da casa própria que já estava encaminhado, e desistir do contrato de compra porque não ia ter recursos para arcar com uma entrada maior — pagando uma multa que normalmente é de 10% do valor da venda.

Alguém ganha com isso?

No médio e longo prazo, as construtoras devem ganhar com a mudança. As alterações tornam bem mais conveniente comprar uma casa ou apartamento novos do que uma usada, pela diferença no valor que pode ser financiado. Em um imóvel de R$ 250 mil, por exemplo, é possível pegar emprestado R$ 200 mil no caso de um novo e apenas R$ 125 mil, no caso de um já construído.

O que eu posso fazer para contornar?

Uma opção é negociar o preço. A necessidade de uma entrada maior dá mais margem para tentativas de baixar o preço final — já que a demanda pela compra deve cair.

Não tenho dinheiro agora. Existe alguma alternativa?

Outra opção é buscar esses financiamentos em bancos que não a Caixa Econômica, sejam eles públicos ou privados. Cada um tem suas regras para financiamento imobiliário e podem permitir um percentual maior, mas também a juros maiores. Uma possibilidade que deve crescer com esse novo cenário é a dos consórcios imobiliários. Um grupo de pessoas poupa em grupo e vai sendo beneficiada pela compra dos imóveis a cada novo pagamento, em que normalmente o agraciado é escolhido por sorteio. A vantagem é eliminar os juros do processo, mas a desvantagem é que existe a possibilidade de você ser o último a receber seu apartamento.

Por que a Caixa Econômica fez isso?

A Caixa Econômica argumenta que o mercado já vem se ajustando, desde 2012, à queda da demanda/velocidade de vendas na faixa de preço entre R$ 170 mil e R$ 650 mil. Alega também que o foco do banco este ano será o financiamento de imóveis novos, com destaque para a habitação popular — operações do Minha Casa Minha Vida e recursos do FGTS. O mercado, no entanto, acredita que a medida ocorre por falta de recursos. No primeiro trimestres deste ano, a retirada das poupanças superou em R$ 23,2 bilhões os depósitos. Apenas em março, foram R$ 11,4 bilhões em saques, o maior número da série histórica.

DIÁRIO CATARINENSE
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