Após duas horas de conversa na manhã desta quinta-feira, o governo estadual e o Sinte/SC decidiram formalizar a abertura da negociações para o encerramento da greve dos professores iniciada em 24 de março. A mesa de negociações estará oficialmente aberta na segunda-feira, às 17h.

O diálogo é resultado da intervenção de deputados estaduais e das ações dos grevistas, que no início da noite de quarta-feira chegaram a ocupar um dos andares da Secretaria de Educação, no Centro de Florianópolis. Eles só deixaram o local após a confirmação da reunião realizada nesta quinta-feira, com a presença do secretário Eduardo Deschamps e dos deputados estaduais Aldo Schneider (PMDB), Luciane Carminatti (PT), Mauro de Nadal (PMDB) e Valdir Cobalchini (PMDB).

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No encontro, o secretário Eduardo Deschamps, da Educação, pediu os sindicalistas que apresentem um novo documento com as propostas para discussão a ser realizada na segunda-feira, dia 11. Os deputados vão indicar um representante para acompanhar as negociações.

— Praticamos um gesto no sentido de reforçar e dar credibilidade às discussões — afirmou Cobalchini, presidente da Comissão de Educação da Assembleia.

Logo após a reunião, o comando de greve do Sinte/SC iniciou uma reunião para elaborar o documento solicitado pela Secretaria de Educação e para definir os representantes da categoria na mesa de negociações.

O documento foi apresentado pelo Sinte/SC ao governo e nele os grevistas pedem prazo de 30 dias para conclusão das negociações, não incorporação da regência de classe, abono de faltas injustificadas desde 2012, revogação do decreto que impede progressão na carreira de profissionais que tenham mais do que três faltas injustificadas e a aplicação do aumento de 13% dado ao piso nacional da categoria para todos os professores.

Os sindicalistas vão aguardar as respostas do governo ao documento antes de convocar uma nova assembleia estadual da categoria para discutir o final da paralisação.

— Para nós, a negociação está aberta. Pelo menos esse é o entendimento que nos deram — afirmou o coordenador do Sinte/SC, Luiz Carlos Vieira.

O secretário Eduardo Deschamps também considera as negociações abertas e espera que a reunião de segunda-feira possa levar o sindicato a encaminhar o final da greve. Ele admite recuo na posição de não negociar enquanto houvesse professores parados.

— É uma negociação complexa e entendemos que não podemos esperar o retorno às aulas para iniciar as conversas. Mas gostaríamos muito, até para organizar a reposição das aulas e minimizar o prejuízo dos alunos, de que houvesse o encaminhamento do retorno às aulas.

Para o Sinte/SC, a ocupação da secretaria foi fundamental para a posição do governo em reabrir as negociações. Deschamps, por sua vez, argumenta que a reunião já estava marcada através de parlamentares que entraram em contato com ele na tarde de quarta-feira.

— A ocupação poderia ter o efeito contrário, de cancelar o encontro. Mas houve bom-senso — afirma.

Diário Catarinense
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