O telhado retorcido na quadra e as paredes caídas do ginásio municipal Ivo Sguissardi parecem um monumento que relembra aos moradores de Xanxerê a tarde de 20 de abril, quando um tornado atingiu a cidade e o município vizinho de Ponte Serrada. Quase um mês depois do fenômeno que causou quatro mortes, quase cem feridos e prejuízos de mais de R$ 100 milhões,  a marca da destruição ainda é grande.

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No bairro dos Esportes, além do ginásio, não estão funcionando o posto de saúde, nem a Escola Neusa Lemos Marques. Da casa que foi encontrada no meio da rua, restam apenas os sinais da destruição no terreno. Muitas casas vizinhas continuam sem telhado.

Outras já foram recuperadas, como é  o caso da residência de Luíza de Deus da Silva. Com R$ 5 mil do FGTS da filha ela conseguiu pagar as telhas e madeira. Vendeu um fogão e o ar- condicionado para comprar o restante do material. E a mão de obra, de R$ 3,5 mil, vai pagando com a aposentadoria.

_ Não ganhei uma vírgula _ disse.

Ela está entre as famílias que não quiseram esperar as doações pela demora na liberação. Luíza temia que o piso, de madeira, estragasse.

Outras famílias receberam tijolos, cimento e areia e já estão reconstruindo por conta. Mas tem aqueles que não têm o que reconstruir, como a doméstica, Nelci Sobzizk, do bairro Tacca. De acordo com o coordenador da Defesa Civil no município, João Borba, são pelo menos 80 casas que precisarão ser reconstruídas.

No bairro Tacca, sobraram muitos terrenos sem casa.

_ Aqui parece um deserto _ disse uma das moradoras do bairro, que sente falta dos vizinhos, que estão nas casas de familiares.

A Defesa Civil deve receber recursos do Governo Federal para a construção de casas modulares, de 40 metros quadrados. A documentação foi encaminhada para Brasília na semana passada e, após a liberação dos recursos, a Defesa Civil deve fazer a licitação.
Das 235 casas destruídas parcialmente, entre 30 e 40% foram reconstruídas, segundo Borba. O Governo Federal e o Governo do Estado já liberaram 75,2 mil telhas para Xanxerê. Mas ainda falta material, como tijolos, areia e brita. Ainda falta muito para que o tornado fique apenas na lembrança.

 

À espera da casa

Todos os dias o pintor Gildo Bertochi vai no terreno onde ficava a casa onde morava, no bairro Tacca. Parte do telhado da residência do vizinho caiu em cima da sua no tornado.
_ Quebrou até o piso _ lembra, olhando para os pinheiros quebrados onde o tornado “desceu”. Enquanto aguarda uma casa da Defesa Civil, ele ajuda os vizinhos na reconstrução das casas menos atingidas. Bertochi  está na espera da construção modular de 40 metros quadrados que deve ser doada pela Defesa Civil, embora ela tenha metade do tamanho do lugar onde morava com a mulher e os dois filhos.  É a forma de tentar recomeçar.
_ Se fosse pegar material, não teria dinheiro para terminar a construção _ afirmou. Por enquanto ele está morando de aluguel, junto com a sogra, que também teve a casa completamente destruída.

Financiamento de R$ 30 mil para cobrir a casa

O funcionário de uma agroindústria Gilberto Evangelista, teve que rapar as economias e ainda fazer um financiamento de R$ 30 mil para cobrir as duas casas e um minimercado que a mulher administra, no bairro Tacca.
_ Estou aborrecido _ revela.
Ele recebeu 91 telhas de cimento amianto da Defesa Civil. Mesmo assim deve gastar cerca de R$ 100 mil com o restante do material e mão de obra.  Evangelista disse que ainda vai um bom tempo para reconstruir o telhado, portas e janelas danificadas.
_ Vai 90 dias para ajeitar tudo _ afirmou.

Pedreiro reconstrói casa para sair da garagem

A garagem da casa do pedreiro Gilson Antônio Silva foi a única peça que não foi descoberta pelo tornado. Foi lá que ele, a mulher, a mãe e os dois filhos tiveram que morar de forma improvisada nas últimas semanas. Os guarda-roupas formam as divisórias. A mãe, Marta Medeiros Silva, de 87 anos, ainda lembra do dia 20 de abril.
_ Agora estou bem mas o susto foi grande _ disse. Gilson disse que recebeu três mil tijolos, 20 sacos de cimento, areia e porta da Defesa Civil. Além disso tem recebido doações de amigo. Com isso já está erguendo as paredes da residência.
_ Vou indo, até terminar _ conta o pedreiro.

Professora espera seguro para ter casa de volta

Na quadra onde morava a professora Cristieli Facco não ficou nenhuma casa com telhado.  Algumas já começaram a reconstrução, mas ela ainda só fez a limpeza no terreno.
_ Agora que começou a cair a ficha, vamos ver o que vai dar para aproveitar _ afirmou.
Cristieli e o marido financiaram a casa e ainda têm uma dívida de R$ 40 mil. A professor afirmou que tinha seguro, mas o processo é demorado. Enquanto isso ela e o marido pagam aluguel.

 

DIÁRIO CATARINENSE
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