O comando de greve do Sinte/SC decidiu desconsiderar a proposta do governo estadual para o encerramento da greve dos professores e cancelar a assembleia marcada para esta quarta-feira, quando poderia ser colocado em votação o final da paralisação iniciada em 24 de março. Os sindicalistas avaliaram que o documento encaminhado pelo Centro Administrativo não oferece garantias aos grevistas ao condicionar às negociações ao encerramento do movimento.

— Ou o governo negocia com a gente em greve ou vamos ficar em greve até o final do ano. Vão dizer que são poucos? Podem ser 10, nove, eu sozinho, não vamos voltar — afirma o coordenador do Sinte/SC, Luiz Carlos Vieira.

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Embora não seja encarado como reabertura do diálogo, governo e Sinte voltaram a conversar na segunda-feira da semana passada quando foi realizada uma reunião intermediada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE). Naquele dia, foi acertado que o sindicato apresentaria um documento com as condições para encerrar o movimento grevista.  A proposta foi apresentada na terça-feira passada, incluíndo a criação de uma mesa de negociações para discutir o novo plano de carreira, anistia a faltas e aplicação do reajuste de 13% dado ao piso salarial sobre toda a carreira.

Na quinta-feira, o governo apresentou uma contraproposta admitindo a mesa de negociação, mas incluindo as demais demandas na pauta desse grupo de discussão. Os sindicalistas entendem que o governo repete o gesto de 2012, quando condicionou as negociações ao fim da greve que aconteceu naquele ano — o que não teria acontecido.

— Alguma sinalização o governo precisa dar. A revogação do decreto 3963 (que impede progressão na carreira de professores com faltas injustificadas), abonar as faltas de mobilização de 2012 até agora, aplicar o piso na carreira. Se for um dos ítens, já é algo para a categoria avaliar — afirma Vieira.

De acordo com o sindicalista, a greve dos professores tem adesão de 25% a 30% dos profissionais. Segundo o governo estadual, o percentual de grevistas é de 10%.

— Não é uma greve de massas, mas uma greve de resistência. Esses professores que estão parados não vão voltar às aulas sem uma garantia — afirma.

Em vez da assembleia estadual marcada para quarta-feira, o Sinte/SC promoverá um ato na Praça Tancredo Neves, em Florianópolis, com a presença de professores grevistas de todas as regionais do sindicato. Também está mantida a ocupação do saguão da Assembleia Legislativa, que completa uma semana nesta terça-feira e é liderada pelas regionais de Florianópolis e São José.

Diário Catarinense
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