Aumento dos juros deve inibir investimentos na agricultura familiar Maykon Lammerhirt/Agencia RBS

Em Santa Catarina 110 mil agricultores acessam o Programa Nacional da Agricultura Familiar

Foto: Maykon Lammerhirt / Agencia RBS

O aumento das taxas de juro do Plano Safra da Agricultura Familiar 2015/2016, que teve um acréscimo de 0,5% a 3,5% ao ano em relação aos valores praticados anteriormente, devem inibir alguns investimentos na avaliação de agricultores e lideranças catarinenses.

Um exemplo é o agricultor Antoninho Munarini, de Chapecó. Nos últimos dois anos ele comprou um trator por R$ 88 mil e uma camionete por R$ 39 mil, com prazo de dez anos para pagar e juros de 2% ao ano. Agora ele teria que pagar 5% de juros ao ano.

— Agora temos que repensar novos investimentos, pois o juro ficou mais pesado —disse Munarini, que tem 30 hectares e produz dez mil litros de leite por mês.

No custeio da lavoura de milho, o valor que ele financiou no ano passado, de R$ 20 mil, com juro de 3,5%, passa para 4,5% na próxima lavoura.

Em Santa Catarina 110 mil agricultores acessam o Programa Nacional da Agricultura Familiar. Como no ano passado foram disponibilizados R$ 2,8 bilhões para o estado, neste ano a projeção é que sejam disponibilizados R$ 3,3 bilhões a R$ 3,4 bilhões, segundo o coordenador nacional de Política Agrícola da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar, Celso Ludwig, que também é agricultor em Paial, Santa Catarina.

— Nós não queríamos esse aumento mas há uma intenção do governo em desaquecer a economia para segurar a inflação — avaliou Ludwig.

Ele disse que o volume de recursos é adequado, mas prevê que vai sobrar dinheiro pelo aumento dos juros. O impacto será menor para quem financia até R$ 10 mil, pois o juro vai aumentar de 2% para 2,5%. Mas, para quem pegava dinheiro de investimento acima de R$ 30 mil, o juro mais que dobrou, de 2% para 5,5%.

No entanto Ludwig disse que o plano não é ruim, pois contempla outros aspectos como aumento do valor pago pelo seguro de R$ 7 mil para R$ 30 mil, flexibiliza a venda de produtos alimentares artesanais como o queijo e o salame comercial em pequena escala, além de investimento e assistência técnica, recursos para cooperativas e compras de alimentos pelos órgãos federais.

O vice-presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar do Estado de Santa Catarina (Fetaesc), Luiz Sartor, também ponderou sua avaliação sobre o aumento dos juros.

— Se for necessário esse ajuste para ajudar o Brasil a sair dessa situação a agricultura familiar vai ajudar — afirmou.

Ele só espera que esse aumento de juros seja momentâneo.

— Posteriormente esperamos que os juros voltem aos patamares anteriores ou até com maior redução — afirmou.

Ele também pontuou avanços na comercialização dos produtos da agricultura familiar e flexibilização das regras das pequenas agroindústrias.

DIÁRIO CATARINENSE
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