Morre a escritora Hilta Teodoro, membro das Academias de Letras de São José e Biguaçu, na Grande Florianópolis Álbum de Família/Arquivo Pessoal

Dona Hilta tinha 92 anos

Foto: Álbum de Família / Arquivo Pessoal

Para a maioria, ela é Dona Hilta. Para a família, é Tita. É mãe para os cinco filhos e vó para os sete netos. A detentora de vários nomes, batizada como Hilta Teodoro Bencciveni, nasceu entre as ruas Conselheiro Mafra e Padre Roma, perto da sede do Figueirense. Ela veio ao mundo num dia festivo para o time, em 21 de agosto de 1922.

Carregou durante a vida a alegria contagiante do dia do seu nascimento e a paixão pelo alvinegro. Aos 72 anos, Hilta foi aprovada no vestibular de Letras-Português da Universidade Federal de Santa Catarina em 1995.

– Quero ser jovem para sempre, estar com os jovens – é que o dizia, sempre com um sorriso no rosto, quando perguntavam sobre a decisão de começar uma graduação nessa idade.

A aposentada do Tribunal de Justiça de Santa Catarina era poesia em pessoa. Começou a escrever em jornais e revistas de Florianópolis com o pseudônimo Marilu. Integrante da Academia de Letras de Biguaçu e de São José, publicou poemas, contos e anedotas em antologias de agremiações literárias.

E lançou em 2014, o livro Meus Sonhos, uma coletânea de poesias e crônicas. A sua arte transcendia o papel. Era conhecida por declamar poemas, contar histórias, anedotas da mocidade, coisas de antigamente.

A esposa de José Bencciveni e um dos sete filhos do pescador Manoel Jacinto Teodoro e da dona de casa Ana Martins Teodoro se orgulhava em ser a matriarca da família. Na companhia do inseparável vinho tinto e sempre rodeada por amigos, ela contava em meio a gracejos:

– A minha sorte é que sou surda. Deus já me chamou uma porção de vezes, mas eu não escuto mesmo – e dava uma piscadela danada como se tivesse aprontando alguma travessura infantil.

Hilta morreu ontem, durante a manhã ensolarada, aos 92 anos. O velório foi realizado no Cemitério São Francisco de Assis, no Itacorubi. O velório é realizado no Cemitério São Francisco de Assis, no Itacorubi.

DIÁRIO CATARINENSE
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