Obras do elevado do Rio Tavares recomeçam com mudanças no projeto  Marco Favero/Agencia RBS

Construção da estrutura promete desafogar o trânsito no Sul da Ilha, por onde passam 53 mil veículos diariamente

Foto: Marco Favero / Agencia RBS

Os operários já estão no canteiro e as máquinas trabalhando para inserir as estacas que vão sustentar a alça do elevado do Rio Tavares, obra que começa com uma grande expectativa: desafogar o trânsito no Sul da Ilha, por onde passaram diariamente cerca de 53 mil veículos. O projeto original foi alterado para ajustar o futuro corredor de ônibus Sul, e a previsão é que a primeira etapa fique pronta em 18 meses — ou seja, no final de 2016.

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O secretário de obras Rafael Hahne explica a alteração vai dar prioridade para o fluxo maior de veículos, que é do Sul da Ilha para o Centro e vice-versa:

— Já adaptamos pensando no futuro, quando a cidade vai receber o corredor Sul.

Topografias e estudos arqueológicos são iniciados nas obras do elevado do Rio Tavares


Olho nos sambaquis

Após a confirmação da existência de um sambaqui na área, Hahne destacou que o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Natural (IPHAN) em Brasília liberou a obra, e os estudos arqueológicos seguem em paralelo. Durante todo o período, a Polícia Militar Rodoviária e o Deinfra irão sinalizar o entorno e organizar o tráfego no local para amenizar os impactos.

Mário Motta: Indícios de sambaquis não impedem obras no Rio Tavares

Sambaquis são uma espécie de cemitério dos primeiros habitantes da Ilha, que viveram aqui (e em toda a América do Sul) entre 10 mil e 4 mil anos atrás.

Moradores ainda têm dúvidas

Até o momento, foram feitas a desapropriações necessárias para a construção do elevado, porém os moradores das rodendezas que  ainda não foram procurados pela Prefeitura estão preocupados. Eles entendem que a obra é importante e necessária e gostariam de ter mais informações.

A comerciante Gabriela Aparecida dos Santos tem uma distribuídora próximo a rótula, e mora na parte de cima da casa. O local é alugado, mas ela conta que já está pago até 2018:

— O proprietário ligou para perguntar se alguém esteve aqui para medir ou perguntar, mas ninguém nos procurou. Estou preocupada porque no projeto uma das pistas passa bem na frente da casa. Se tivermos que sair, é melhor saber o quanto antes.

Nada confiante

O pai de Gabriela, Edson Luiz dos Santos, conta que tem o comércio há 12 ano, e como mora na região também fica preso nas filas. Ele não está muito animado:

— Espero que melhore, mas acho que vai acabar trancando do mesmo jeito. Hoje levo mais de meia hora no horário de pico um trecho que sem fila faço em 5 minutos — disse.

Primeiro as mais próximas

O pedreiro Ari Brucker conta que a família da esposa mora no local desde 1979. Eles estão preocupados em ter que sair repentinamente: 

— Ninguém veio aqui falar com a gente, não sei se é só na próxima fase. Fico preocupado porque uma casa não se faz da noite pro dia, e se vamos ter que sair, é bom saber logo pra começar a procurar — falou.

O secretário explica que neste primeiro momento foram priorizadas as casas que passavam no local onde a alça vai ser erguida,mas a partir da próxima semana vão iniciar as negociações com mais proprietários.

— Temos interesse em negociar tranquilamente com essas famílias que moram nas rodovias e ruas laterais que serão atingidas, e na semana que vem vamos intensificar.

A obra

Valor: R$ 15 milhões
Prazo: 18 meses
Elevado: terá 220 metros e fará a ligação em forma em forma de anel, ligando a SC-405 e a rodovia Dr. Antônio Luiz Moura Gonzaga, que une o Rio Tavares e o Campeche à Lagoa da Conceição.

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