Em um ano, prejuízos causados por fenômenos naturais no Oeste de SC somam mais de R$ 200 milhões Sirli Freitas/Especial

Aposentado Anacleto Lanfredi, de 76 anos, acredita que precisará de quatro anos para recuperar patrimônio

Foto: Sirli Freitas / Especial

Historicamente assolada pelas estiagens, a região Oeste de Santa Catarina tornou-se palco de enxurradas, alagamentos e até de um tornado no último ano. De junho de 2014 para cá, foram pelo menos três grandes fenômenos naturais que, junto com os estragos ocorridos no Planalto Norte, em junho de 2014, causaram prejuízos de R$ 247 milhões. Em prefeituras com receitas que não ultrapassam os R$ 2 milhões, a recuperação só é possível com ajuda dos governos estadual e federal.

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Os meteorologistas Leandro Puchalski, do Grupo RBS, e Laura Rodrigues, do Centro de Informações de Recursos Ambientais e de Hidrometeorologia (Ciram), da Epagri, explicam que a região está mais propensa a estas mudanças climáticas por sofrer mais influência de eventos como o El Niño – aquecimento das águas do Oceano Pacífico – e La Niña – resfriamento das águas.

A primeira catástrofe do período foi a inundação provocada por excesso de chuvas em junho do ano passado. Em Chapecó e Mondaí, choveu mais de 400 milímetros em quatro dias. Em abril deste ano, veio o tornado com ventos que atingiram mais de 200 quilômetros por hora e mataram quatro pessoas. Na metade de julho, as enxurradas deixaram dois municípios em situação de calamidade pública e outros 59 em emergência, com duas mortes.

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Diante dos estragos, os prefeitos e moradores do Oeste precisam de ajuda dos governos estadual e federal para conseguir reconstruir as cidades.

O chefe do Executivo de Coronel Freitas, Mauri Zucco, disse que o município com receita mensal de R$ 1,8 milhão não tem como reconstruir casas, pontes, recuperar estradas e os prédios públicos danificados com recursos próprios.

Para se ter ideia, apenas para recuperar  a escola municipal Clube do Bolinha, são necessários cerca de R$ 700 mil. Além disso, há o risco de queda de receita, pois 156 empresas da cidade foram inundadas, destruindo máquinas e estoques. Juntas, elas estimam prejuízo de R$ 44 milhões, 24 vezes maior do que a receita municipal.

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Perdas acumuladas

Em Xanxerê, o prefeito Admir Gasparini, está pleiteando mais R$ 1 milhão do Ministério da Integração para colocar lâmpadas e reatores nos 450 postes que ficaram destruídos pelo tornado, além de pagar a empresa contratada para a limpeza da cidade. Ele administra uma receita mensal de R$ 7,9 milhões, mas o prejuízos com o tornado foram de R$ 28 milhões, sem contar o lucro cessante das empresas.

No ano passado o município já havia tido prejuízo de R$ 11 milhões com as inundações, principalmente nas estradas do interior.

Municípios como Águas de Chapecó ainda corriam atrás de prejuízo do ano passado quando foram novamente atingidos por fortes chuvas neste mês. As casas construídas  por meio do Programa Minha Casa, Minha Vida, para famílias que ficaram desabrigadas em 2014 ainda nem foram entregues e a cidade já precisa buscar mais recursos.

Já o vice-prefeito Sadi Comel disse que o município recebeu R$ 70 mil da Defesa Civil no ano passado, mas o prejuízo foi de R$ 5 milhões. Com uma receita de R$ 850 mil mensais, não consegue recuperar os danos.
 

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