Pela primeira vez, intenção de consumo dos catarinenses cai para o grau de pessimismo Felipe Carneiro/Agencia RBS

Intenção de consumo de bens duráveis, como veículos, acumulam uma queda anual de 39,4%

Foto: Felipe Carneiro / Agencia RBS

Pela primeira vez, o índice que marca a Intenção de Consumo das Famílias Catarinenses (ICF) ficou abaixo dos 100 pontos, o patamar que delimita o grau de pessimismo e otimismo dos consumidores na escala que vai de 0 a 200. O ICF de julho de 2015 ficou em 99,8 pontos e reflete o momento de incertezas com relação à situação econômica brasileira. Outros quatro subitens apresentaram os piores números da série histórica iniciada em janeiro de 2010: nível de consumo atual (72,4 pontos), perspectiva de consumo (89,3), acesso ao crédito (101,4) e momento para duráveis (97,2).

Na avaliação da Fecomércio SC, que realizou a pesquisa, essa queda histórica é reflexo da inflação alta e persistente, que diminui a renda das famílias; das elevadas taxas de juros que batem recorde mês após mês e tornam o crédito mais caro; e do aumento na taxa de desemprego, resultado da retração dos investimentos produtivos.

Nesse aspecto, o comércio catarinense sente o impacto na redução de seu volume de vendas, que vem apresentando os piores resultados desde 2003. O cenário ainda se agrava pela perspectiva de que o ajuste posto em prática pelo governo federal, para reequilibrar as contas públicas e provocar uma retomada do crescimento no médio prazo, está sendo muito mais recessivo do que se esperava.

De acordo com a pesquisa do ICF, o item emprego apresenta números declinantes frente à perspectiva de retração econômica em 2015, o que gera aumento das demissões. O consumo atual mantém-se abaixo dos 100 pontos pelo quarto mês consecutivo, o que significa que o indicador chegou à sua mínima histórica e a renda atual permanece praticamente estagnada.

Queda de confiança

A confiança em relação à renda atual caiu -3,8% na comparação mensal e -0,6% na comparação anual. Já as expectativas sobre o consumo atual caíram -11,5% no mês. No ano, a queda foi de -31%. O nível de emprego entre junho e julho caiu -1,4% e -11,8%, no mês e no ano, respectivamente.

No mês de julho, o indicador perspectiva profissional apresentou uma leve alta de 0,8%. Na comparação anual, a alta foi de 5,1%. Mas a criação reduzida de vagas de trabalho, segundo dados do Caged, está refletindo negativamente na perspectiva profissional das famílias. Isso porque a marca está num patamar considerado muito baixo, apesar das variações positivas observadas em julho: 89,3.

O acesso ao crédito, em termos mensais, apresentou uma queda de -9,5%. Na comparação anual uma forte queda de -34,2%. O resultado negativo no mês revela que as condições de pagamento estão debilitadas, devido às altas taxas de juros e ao elevado comprometimento da renda com dívidas. Em termos absolutos, o índice se aproxima muito do campo negativo: 101,4 pontos.

Bens duráveis

O momento para compra de bens duráveis, como carros, por exemplo, em sintonia com a perspectiva de consumo, caiu -9,3% entre junho e julho. No contexto anual, o indicador registrou queda de -39,4%. Mais uma vez, a queda nos indicadores mensais e anuais reflete a retração do crédito, cujos bens duráveis são mais sensíveis, bem como as medidas de ajustes adotadas pelo governo, as quais reforçam as pressões inflacionárias.

Em termos absolutos, o momento para duráveis pela primeira vez se situa abaixo dos 100 pontos (97,2), com forte tendência a mais de queda, o que revela uma percepção de pessimismo entre os catarinenses.

DIÁRIO CATARINENSE
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