"Delegacia do Monte Alegre é uma vidraça do Estado", diz delegado titular em Camboriú Marcos Porto/Agencia RBS

Neste domingo delegacia foi alvo do segundo atentado em 15 dias

Foto: Marcos Porto / Agencia RBS

Titular da delegacia polícia do Monte Alegre, em Camboriú, o delegado Maurício Pretto afirma que a unidade está em uma área vulnerável da cidade, onde estão espalhados núcleos de facções criminosas, como o Primeiro Grupo Catarinense (PGC) e o Primeiro Comando da Capital (PCC). A localização faz com que a DP seja alvo fácil de ataques: em menos de dois meses já foram três atentados, o mais recente ocorreu na noite de domingo quando pelo menos 18 tiros de pistola foram disparados contra o local.

— Tudo que acontece no Estado reflete em Camboriú, por estar em uma área com muitos criminosos e também pela facilidade de cometer o crime. A delegacia é uma vidraça do Estado — afirma Pretto.

De acordo com ele, há várias hipóteses para explicar o último ataque, desde envolvimento com organizações, a morte de um homem pela Polícia Militar na última sexta-feira ou a prisão de integrantes do PGC recentemente. O caso está sendo investigado pela Divisão de Investigações Criminais (DIC) e, por enquanto, não foram localizados suspeitos. Pretto relata ainda que algumas medidas já estão sendo tomadas para reforçar a segurança da delegacia, porém esbarram em trâmites burocráticos.

— Começamos a instalar câmeras de segurança, mas na sexta-feira descobrimos que o DVR (sistema que armazena as imagens) estava queimado, então vai levar mais algum tempo para conseguirmos consertar. Também quero instalar novas lâmpadas, mas a prefeitura tem criado empecilhos para liberar o recurso, já devolveu três vezes o orçamento que fizemos, é complicado — reclama o delegado.

Segundo ele, é o município que gerencia a verba destinada à delegacia — 1/3 do valor arrecadado com as multas. Dependendo do custo das melhorias é necessário fazer licitação, o que atrasa o processo.

Nova delegacia

A nova delegacia de polícia de Camboriú, que ficará localizada no Centro, é vista como uma das possíveis soluções para o problema. Pretto evita dar garantias, pois acredita que os ataques podem ocorrer em qualquer lugar e nem sempre têm vínculo com facções criminosas, por exemplo. O delegado também explica que o local vai precisar passar por adequações de segurança antes de ser ocupado.

— Acredito que faremos a mudança para o Centro somente no fim do ano, mas não sei se isso vai resolver, Camboriú como um todo tem esse problema. Também pretendemos manter uma central de ocorrências aqui no Monte Alegre — observa.

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O diretor de Polícia do Litoral, delegado José Celso Correa, comenta que o setor de inteligência foi acionado para investigar o atentado. Conforme Correa, a situação preocupa a diretoria e novas medidas poderão ser estudadas para reforçar a segurança.

— Por enquanto vamos focar na investigação. No momento não temos efetivo para fazer uma força-tarefa, todo litoral é uma área vulnerável — diz.

O SOL DIÁRIO
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