Empresa dos EUA tem até segunda-feira para responder proposta de restauro da ponte Hercílio Luz   Julio Cavalheiro/Secom / Governo de SC

Ponte Hercílio Luz está itnerditada para veículos e pedestres desde 1991

Foto: Julio Cavalheiro / Secom / Governo de SC

Começa a contagem regressiva para a empresa American Bridge, dos Estados Unidos, apresentar ou negar uma proposta orçamentária para as obras de restauração da Ponte Hercílio Luz, em Florianópolis. Com o prazo próximo de expirar, o Departamento Estadual de Infraestrutura (Deinfra) diz que não recebeu nenhuma sinalização dos americanos até agora. À espera, também garante não ter feito qualquer tipo de pressão para o avanço das negociações com a companhia que construiu o cartão-postal na década de 1920. 

No mês de julho, em um encontro na cabeceira da estrutura, representantes da American Bridge em visita à Capital disseram ao governador Raimundo Colombo que responderiam à oferta de trabalho até o fim deste mês de agosto, ou seja, até a próxima segunda-feira, dia 31. Ainda sobram quatro dias, sendo que dois caem no sábado e domingo: oportunidades pouco prováveis para um anúncio oficial. Segundo o governador, há uma reserva de R$ 130 milhões para a possível contratação, com financiamento do BNDES. 

– Ainda estamos dentro do prazo. Durante este tempo, engenheiros da American Bridge fizeram quatro visitas técnicas na ponte, o que demonstra o interesse deles. Mas temos que esperar. Por enquanto também não podemos falar de um plano B, pois estamos aguardando pela resposta deles – disse o presidente do Deinfra, Wanderley Agostini

Plano B

Mas o plano B, segundo uma fonte ligada ao governo, seria abrir um processo licitatório para a contratação de outra empresa para fazer o restauro no vão central. E uma das mais cotadas – que já demonstrou interesse em participar de uma eventual licitação _–seria a Empa, do grupo português Teixeira Duarte, a atual responsável por erguer os quatro pilares de sustentação inferior da Hercílio Luz. O plano A é contratar a American Bridge para finalizar o restauro, mas com dispensa de licitação.

Agostini também fala sobre a possibilidade da American Bridge pedir mais tempo para analisar a proposta. Mas uma nova prorrogação seria a terceira desde que o governo estadual começou a negociar com os americanos. Em abril a empresa disse que responderia em 60 dias e, findo este prazo em julho, pediu mais um mês para se posicionar.

A reportagem tentou contato com o escritório da American Bridge, no estado americano da Pensilvânia, duas vezes por telefone e por e-mail, mas não obteve retorno. Em julho a assessoria de comunicação da empresa informou que assuntos relacionados à Hercílio Luz deveriam ser tratadas somente com o governo de SC.

Os quatro obstáculos no caminho da restauração

Imbróglio judicial
Uma disputa entre o Deinfra e o Consórcio Florianópolis Monumento, liderado pela construtora Espaço Aberto e que teve o contrato com o governo rescindido em 2014, tem gerado um clima de insegurança jurídica na continuidade da restauração da ponte. A empresa desde então vem tentando impedir judicialmente a continuidade da reforma. Mas na terça-feira desta semana o Tribunal de Justiça decidiu que o trabalho não será interrompido para que se possa realizar um inventário técnico no canteiro de obras, conforme demandava a construtora.  

Forma de contratação
Raimundo Colombo quer fechar o contrato com a American Bridge com dispensa de licitação, o que contraria o projeto inicial da restauração e pode gerar problemas administrativos futuros. A manobra teria que ser costurada junto com Tribunal de Contas do Estado e com o Ministério Público para evitar possíveis contestações. A segunda opção seria abrir nova licitação para o serviço de restauro do vão central. 

Preço indefinido
Por enquanto a American Bridge não fez nenhuma estimativa de preço. O governo estadual diz ter reservado R$ 130 milhões, de financiamento do BNDES, para investir nessa etapa da obra. Mas com a alta do dólar, que gira em torno dos R$ 3,50, há preocupação de que o custo final seja maior do que a capacidade financeira do Estado.

Uma etapa a ser concluída
Se tudo der certo, a American Bridge só poderá começar os trabalhos após a Empa finalizar a etapa Ponte Segura, referente à estrutura de sustentação inferior, cujo contrato é de R$ 10,3 milhões. A empresa tem até o dia 10 de outubro para concluir a obra. a

DIÁRIO CATARINENSE
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