Mercado Público de Florianópolis: manezinho descreve a emoção de estar de novo no coração da cidade Guto Kuerten/Agencia RBS

Pode chegar que a porta estará sempre aberta

Foto: Guto Kuerten / Agencia RBS

O céu que amanheceu lusco-fusco ficou assim até minutos antes de as portas verde-oliva da ala sul serem abertas, pouco depois do meio-dia. Quando o azul pintou, fazendo brilhar o amarelo-ouro do Mercado Público de Florianópolis já cheirando a peixe, as autoridades estava espremidas pela imprensa e por centenas de espectadores.

Leia a coluna Os Manés, escrita em manezês

Era uma mistura de ansiedade e alegria com a tal mania do manezinho de ser curioso, querer ver primeiro. E afinal, uma chance de morrer de orgulho e matar a saudade do setor que concentra as peixarias e estava fechado por 14 longos meses.

Em dia de festa, Mercado volta a ser o ponto de encontro de Florianópolis

Perfeito não foi. Alguns boxes fechados e o banheiro feminino da ala nova interditado no começo da tarde. Mas daí a estragar a festa é demais. “Se já tá bom assim hoje, imagina a loucura no sábado”, ouvia-se. Será dia de maior movimento, com Mercado novo e véspera de Dia dos Pais – pra que mais?

Porta adentro, o andar amontoado foi rasgado por um senhor de cabelos brancos e costeletas longas que pedia licença sem parar. E parou, logo no balcão da primeira peixaria que viu, à direita. Deu de cara com funcionários alinhados, sorridentes, uniformes branquinhos.

– Dôsh quilo de camarão laguna – indicou seu Jeci, manezinho do sul da Ilha.

Conheça o comércio, as alas e as histórias do Mercado Público de Florianópolis

Com o embrulho de jornal em uma sacolinha plástica, pagou em dinheiro e saiu no fluxo contrário à multidão, que andava em passo de procissão na ala sul, filmando, fotografando, turistando em seu próprio espaço. Não fossem os celulares, seria uma cena parecida com a descrita pelos livros na inauguração do Mercado na Floripa de 1898, que não tinha mais de 20 mil habitantes.



 Orgulho

– É nosso Mercado e é nosso orgulho. É um dia pra gente lembrar pra sempre – dizia dona Elídia, cabelos grisalhos presos com grampos e um sorrisão de meu Deus.

César Souza Jr., o prefeito, subiu o tom:

– É o dia mais feliz de toda a minha vida pública – disse aos jornalistas no vão central.



Uma canção em homenagem ao patrimônio de Florianópolis

Orgulho e alegria, muita alegria, deram uma cara de carnaval à quarta-feira que começou cinza e ganhou as cores do Boi-de-mamão cantado lá pelas 15h por centenas de pessoas, quando a ala sul já começava a ficar transitável. De manhã, Berbigão do Boca. À tarde, roda de samba, rodadas de chope, travessas de pastel de camarão, que se estenderam até a noite com os shows que fecharam a Avenida Paulo Fontes. Sorte de quem pôde viver tudo o que aconteceu lá.

HORA DE SANTA CATARINA
 Veja também
 
 Comente essa história