Alemães mostram confiança no Brasil e na recuperação política e econômica do país na abertura do Encontro Econômico Salmo Duarte/Agencia RBS

Rrepresentantes dos países abordaram temas em evidência na macroeconomia mundial na abertura

Foto: Salmo Duarte / Agencia RBS

A confiança no Brasil e a disposição de investir em diferentes setores, como infraestrutura, energia, formação profissional e em tecnologias de manufatura foram um dos destaques nos discursos das autoridades alemãs durante a abertura do 33º Encontro Econômico Brasil-Alemanha, na manhã desta segunda-feira, na Expoville, em Joinville.

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O presidente da BDI, entidade equivalente à CNI na Alemanha, Ulrich Grillo, explicou que o potencial de investimento em energias renováveis é enorme.  A Alemanha quer deixar de lado a energia nuclear e apostar em fontes sustentáveis. Hoje, 27% da matriz energética tem como fontes energias renováveis e a meta é chegar a 55% daqui a 30 anos.

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O vice-ministro de Economia e Energia da Alemanha, Matthias Machnig, citou como exemplo de confiança no Brasil o fato de o Estado de São Paulo contar com 900 empresas de origem alemã, o maior contingente fora do país europeu.

Para ele, o Brasil é um parceiro estratégico e que deverá ter papel de liderança nas próximas décadas.  Segundo ele, a Bosch acaba de inaugurar um centro que vai gerar 500 empregos e a Basf investiu cerca de 500 milhões de euros no País.

Mencionada mais de uma vez, a crise econômica e política que o Brasil atravessa foi classificada como uma situação temporária de debilidade pelas lideranças estrangeiras. Contudo, ao se referir às medidas do governo federal para tentar retomar o crescimento, Grillo enfatizou que anúncios precisam ser seguidos de fatos e ações.

Além de criticar os custos com energia e a burocracia no Brasil, as lideranças internacionais observaram que o País apostou demais em matérias-primas no passado e deixou de lado a indústria. 

— O Brasil tem todas as condições de reencontrar o caminho do crescimento. Comecem, façam as reformas estruturais  e invistam no futuro do país. Aceitem nossa oferta de parcerias, queremos trilhar o caminho junto com vocês — afirmou Machnig.

Acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia é defendido por ambas as partes, mas a principal reivindicação dos alemães na abertura do encontro foi concretizar um termo de apoio entre os presentes em favor da assinatura de um acordo de bitributação entre os dois países.

— Onde há acordos de bitributação, os investimentos são mais seguros. Já existe iniciativas em alguns setores, mas precisa ser ampliado — disse o vice-ministro alemão.

As lideranças nacionais criticaram a crise econômica e política. O presidente da Confederação Nacional das Indústrias (CNI), Robson Braga de Andrade, disse que o Brasil precisa de reformas profundas nas áreas da previdência, trabalhista e administrativa.

O governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo, destacou que o País é dotado de instituições sólidas e de liberdade, contudo, criticou o tamanho do Estado brasileiro e classificou a situação da previdência pública como insustentável.  Para ele, a crise atual deve servir para se discutir os problemas e fazer o País se modernizar e avançar.

A abertura do Encontro Econômico Brasil-Alemanha teve também a presença do ministro do Desenvolvimento da Indústria e Comércio, Armando Monteiro, que defendeu o papel da indústria para o crescimento.

O anfitrião, prefeito de Joinville Udo Döhler, destacou a importância de pensar o desenvolvimento sustentável das cidades e como Joinville pode se beneficiar da experiência alemã.

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc), Glauco José Côrte,  lembrou que a indústria representa a maior massa salarial entre todos os setores da economia brasileira. Em Santa Catarina, são 52 mil indústrias, responsáveis pelo emprego de 812 mil trabalhadores.

Após a abertura, as autoridades assinaram um acordo de cooperação entre o Estado de Santa Catarina e o de Turíngia, que será a sede da próxima edição do evento.

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