Alta do dólar e do ICMS: prepare a carteira para os próximos meses Gabriel Renner/Arte ZH

Foto: Gabriel Renner / Arte ZH

Do pãozinho francês ao smartphone, da viagem ao Caribe à geladeira nova. O galope do dólar e o tarifaço que aguarda os gaúchos na chegada a 2016 vão tornar a conta do supermercado mais alta e pesar na parcela de eletrodomésticos. Câmbio e impostos são mudanças com alta difusão — ou seja, as variações se refletem em muitos produtos e serviços, e geralmente o efeito é imediato.

— O impacto no preço depende da demanda e de estoques. Se há muita procura e os depósitos estão vazios, o comerciante terá de comprar da indústria com valor mais alto, e o repasse é rápido — explica Jairo Procianoy, professor da Faculdade Brasileira de Tributação.

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Esse efeito costuma ser mais veloz nos alimentos. Bebidas, enlatados e itens de higiene têm giro rápido no varejo. Quando o distribuidor importa pagando mais de R$ 4 por cada dólar, repassa imediatamente o custo aos supermercados. E não há mágica: essa diferença vai parar nas etiquetas.

— Mesmo alimentos feitos no Brasil acabam influenciados pelo câmbio. O pãozinho, por exemplo, tem a farinha cotada em dólar, e nas últimas semanas já subiu 10% — exemplifica Patricia Cotti, coordenadora acadêmica da Academia de Varejo.

Por vezes, o comerciante pode absorver parte do custo adicional com dólar ou aumento de imposto, o que vale principalmente no comércio de roupas de grifes e cosméticos, que têm margens de lucro maiores. Mas não é o caso de alimentos e produtos de limpeza comuns do dia a dia: arroz, feijão, macarrão e sabonetes têm margens apertadas, e o repasse costuma ser integral.

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O valor de eletrônicos é atingido em cheio pelo dólar, em razão da quantidade de peças importadas. Além de um reajuste de 8% planejado pelos fabricantes para os próximos 60 dias, para equilibrar os custos de produção, os consumidores gaúchos ainda terão de encarar uma alta de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e recomposição de impostos federais em dezembro.

— Em abril, quando o dólar se estabilizou acima de R$ 3, a indústria já havia aumentado os preços. Com mais essa pressão do câmbio, será impossível segurar um novo reajuste — afirma Régis Haubert, diretor da seção gaúcha da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee).

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