Banco de DNA de familiares de desaparecidos começa a ser criado em SC Divulgação/Divulgação

Alexandre Felisberto: sumiu em 2004 em Balneário Barra do Sul.

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A coleta de DNA de familiares para a criação de um banco de dados é a nova arma na tentativa de elucidar casos de pessoas desaparecidas em Santa Catarina.

O serviço começou a funcionar por meio de uma ação conjunta da Polícia Civil e do Instituto Geral de Perícias (IGP), transformando-se também em nova esperança a familiares que buscam a localização ou mesmo a resposta para o fim do drama.

Para mãe de desaparecida, iniciativa vai trazer certeza

Na semana passada, policiais civis da Delegacia de Pessoas Desaparecidas em Florianópolis foram às cidades de Balneário Barra do Sul e Barra Velha, no litoral Norte, para coletar material genético de um homem de 85 anos, que é pai de Alexandre Felisberto, desaparecido há 11 anos, e da mãe do menino.

O sumiço de Alexandre é um dos mais misteriosos de Santa Catarina. O garoto tinha cinco anos quando foi visto pela última vez em Barra do Sul, no dia 22 de agosto de 2004.

A polícia vai em busca também de material genético de outras dezenas de casos antigos de desaparecimentos no Estado. Outro emblemático é o sumiço de Eliceia Silveira, que desapareceu em 1995, aos dez anos, na Agronômica, em Florianópolis. Tanto o de Alexandre quanto o de Eliceia, foram produzidos retratos de como estariam a partir do envelhecimento.

Coleta espontânea

— O Alexandre e a Eliceia eram crianças na época e não há impressões digitais deles no banco de dados, o que é mais uma dificuldade. Então o banco de DNA dos familiares pode ser um bom recurso se houver alguma suspeita — destaca a policial civil da Delegacia de Pessoas Desaparecidas, Márcia Hendges, lembrando que a coleta é feita de forma espontânea e com a autorização do familiar.

Os policiais coletam uma gota de sangue e a armazenam no Instituto Geral de Perícias (IGP), em Florianópolis, onde terão validade estimada de 20 anos.

— Esse processo é muito interessante e fundamental, muito utilizado no estado de São Paulo. Aos poucos as amostras de SC vão ser inseridas também no banco nacional de DNA(Codis) — afirma o diretor-geral do IGP, Miguel Colzani, informando que o laboratório de DNA tem quatro peritos e funciona desde 2006 com a perícia criminal.

Da coleta ao resultado do DNA, o tempo estimado é de dez dias quando o sangue é fresco. Para coleta do DNA em osso o processo é mais difícil e pode levar semanas. O diretor do IGP lembra o DNA pode ser feito até a partir de um fio de cabelo da pessoa.

Sumiços misteriosos até hoje nunca explicados:


Alexandre Felisberto

Desapareceu no dia 22 de agosto de 2004, em Balneário Barra do Sul, litoral Norte. Tinha cinco anos. Se estiver vivo, completará 17 anos em outubro. Um homem teria convencido Alexandre a dar uma volta com ele para comprar balas, sumindo com o menino.

Eliceia Silveira

Desapareceu há 20 anos, em 18 de março de 1995, no bairro Agronômica, em Florianópolis, quando saiu para comprar remédios em uma farmácia próxima. Tinha dez anos. Em 2002, uma criança foi apreendida em outro Estado e disse ser Eliceia. O alarme falso deixou os familiares transtornados na época.



Joana Xavier

Desaparecida desde o dia 13 de março de 2011, quando fugiu de uma casa de repouso em Canasvieiras, Norte da Ilha, em Florianópolis. Estava com 33 anos e sofria de depressão.



Fiorello Vidal Demartini

Desaparecido desde o dia cinco de outubro de 2011. Foi vítima de um acidente de trânsito e ficou com sequelas neurológicas, perdendo a noção de localização e com dificuldades de repassar informações básicas. Foi visto pela última vez no Monte Cristo, em Florianópolis.



Fonte: Delegacia de Pessoas Desaparecidas.

DIÁRIO CATARINENSE
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