Seja o Primeiro Comando da Capital (PCC) ou não, o crime organizado atua dividido em ações claras aos olhos da população, como tiroteios e mortes, e outras invisíveis, cenário em que estão os grandes chefes da organização, líderes do tráfico e de crimes como lavagem de dinheiro.

A vida e morte de Alexander Dunhill Duarte, 41 anos, no litoral Norte catarinense, é um exemplo disso e revela como um homem da segunda hierarquia do PCC, natural de São Paulo, passou a ser investigado por negócios ilícitos e por danos causados à própria sociedade.

Morador de Balneário Camboriú, ele era suspeito de movimentar milhões a partir do tráfico de cocaína em negócios como a compra de carrões e apartamentos de luxo. Documentos judiciais afirmam que, para isso, atuava com uma rede de laranjas.

A Polícia Federal em Florianópolis investiga em segredo de Justiça os bens que ele possui no Estado, entre os quais estão um apartamento na Avenida Atlântica de Balneário Camboriú, automóveis luxuosos e uma embarcação.

Alexander também teria uma empresa de fachada no Uruguai, país usado como paraíso fiscal segundo a investigação da Polícia Federal. Em janeiro de 2014, ele foi morto com tiros e o corpo – preso em pedras – jogado no rio Camboriú.

– Não conseguimos comprovar que ele pertencia ao PCC. Mas há em São Paulo na ficha dele registros de prisões com grandes cargas de cocaína, ação típica do PCC – diz o delegado Trevisan, sem dar detalhes.

Três meses depois do assassinato do paulista, houve uma perseguição e intensa troca de tiros nas ruas de Itapema. Para a polícia, foi uma ação planejada pelo PCC para vingar a morte de Alexander. As quatro pessoas presas na ocasião devem ir a júri popular.


Estrutura com cara de empresa e crescimento

Nas ruas, há indícios que criminosos de outros Estados também estejam atuando no controle do chamado tráfico do varejo e, assim, promovendo banho de sangue para ganhar espaço. Essa é a suspeita da polícia em Florianópolis e em Joinville, onde há também outras causas para a onda de homicídios que tem aterrorizado o município do Norte neste ano.

Coordenador do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), o promotor Alexandre Graziotin assegura que há monitoramento constante das facções que atuam em Santa Catarina por um grupo de policiais e setores de inteligência, entre elas o PCC.

Ao confirmar a inserção de conflitos entre bandos locais e de São Paulo pela rentabilidade do mercado das drogas, como evidenciam os episódios de violência na comunidade Chico Mendes, na região continental de Florianópolis, o promotor alerta para a estruturação empresarial de criminosos e a tendência de crescimento dessas quadrilhas.

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Diário Catarinense
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