Cunha diz que imbróglio envolvendo vetos "não é birra" entre Câmara e Senado Antonio Cruz/Agência Brasil

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O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), afirmou nesta quarta-feira que o imbróglio envolvendo a realização da sessão no Congresso para apreciação de vetos "não é birra" entre ele e o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).

Enquanto Renan pretende realizar a sessão para avaliar vetos presidenciais à chamada "pauta-bomba", Cunha vai estender as atividades na Câmara até a noite para evitar a reunião conjunta do Congresso. A manobra da Câmara é uma resposta à recusa do Senado de incluir a apreciação dos vetos a pontos da reforma eleitoral.

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Cunha tinha esperança de conseguir derrubar, no encontro desta quarta-feira, o veto ao financiamento privado de campanha. Se o veto não for retirado até o final desta semana, não é possível resgatar, por conta do prazo, a possibilidade de doação empresarial para as eleições do ano que vem.

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— Aqui não é birra. São pessoas bastante experientes e tem Casas que têm comportamentos diversos. Aqui ninguém está birrando, fazendo birra com nada — declarou Cunha antes de assumir a presidência da sessão desta tarde.

O presidente da Câmara também negou estar em confronto com o presidente do Senado.

— Isso não é confronto. É divergência de opiniões. Confronto é uma coisa muito mais complexa. Se a gente não puder ter divergência, estamos saindo da democracia — disse.

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Depois da pressão, Renan Calheiros afirmou que a política não pode cuidar apenas de seus caprichos e ficar acima dos interesses da democracia.

— Não temos nenhuma dúvida de que temos que colocar o interesse nacional acima de qualquer questão. A política pode tudo, mas ela não pode sinalizar que está cuidando apenas dos seus caprichos — disse. — A condição era que apreciássemos o veto que foi aposto ontem. Isso na prática seria uma temeridade porque pareceria confronto de poderes. Não é uma boa sinalização para a democracia — acrescentou.

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Dois vetos que seriam apreciados preocupam o governo: o do reajuste dos servidores do Poder Judiciário, que tem impacto de R$ 36,2 bilhões até 2019; e o que atrela o reajuste do salário mínimo a todos os benefícios do INSS, que representa uma despesa extra de R$ 11 bilhões em idêntico período.

*Estadão Conteúdo

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