DIC de Araranguá registra superlotação devido à interdição do presídio local Polícia Civil/Divulgação

Nove homens estão amontoados em duas celas, enquanto uma mulher está em outra sala e um adolescente é mantido em um banheiro

Foto: Polícia Civil / Divulgação

A interdição de seis presídios no Sul do Estado, devido à superlotação e condições insalubres, tem desencadeado mais problemas para a segurança da região. Desde o amanhecer desta quinta-feira, 11 pessoas estão detidas na Divisão de Investigação Criminal (DIC) da Polícia Civil de Araranguá.
 
Uma mulher está algemada a uma cadeira, em uma sala de uso dos policiais, enquanto um adolescente, suspeito de latrocínio, está em um banheiro e nove homens estão amontoados em duas celas de três metros quadrados cada uma.

Roupas de cama foram levadas por parentes dos detentos e a comida está sendo trazida do presídio devido a falta de estrutura da delegacia.
 
Um dos homens está detido desde terça-feira no local, apesar de uma portaria estabelecida quando o Presídio Regional de Araranguá foi interditado, em junho de 2014, que determina que o Departamento de Administração Prisional (Deap) tem 24 horas para transferir os detentos.

— Tem preso que está aqui há mais de 48 horas. Não tem para onde mandar, mas não dá pra soltar. Inclusive entre eles está um que deveria ser encaminhado para tratamento psiquiátrico, mas está aqui no meio dos outros — disse o delegado Jorge Giraldi.
 
Outro problema é que os agentes da Polícia Civil acabam desempenhando a função de carcereiro, o que complica ainda mais a questão da falta de efetivo policial.

— A situação está ficando insustentável. Essa interdição leva a isso, não só aqui como em qualquer lugar. Hoje atingiu o limite máximo, mas diariamente temos quatro ou cinco presos aqui. Somos obrigados a tirar um policial para ficar de carcereiro, isso traz um transtorno pra nós — lamentou o delegado.

Secretaria de Justiça e Deap determinam remoção dos presos

Na tarde desta quinta-feira, a Secretaria de Estado da Justiça e Cidadania (SJC) e o Deap emitiram uma nota informando que não estão sendo medidos esforços para remover os presos das delegacias para as unidades prisionais.

Sobre o caso da DIC de Araranguá, o diretor do Deap, Edemir Alexandre Camargo Neto, garante que todas as medidas já foram tomadas para que os detentos sejam retirados o mais rápido possível.

— Determinamos a remoção imediata de todos os presos — apontou.

Assim que a Secretaria da Justiça e Cidadania foi informada sobre a situação do adolescente detido em Araranguá, o Departamento Socioeducativo foi acionado para que  o caso seja resolvido e o menor transferido para uma unidade socioeducativa.

Além disso, uma determinação foi assinada pelo diretor do Deap para garantir o fornecimento da alimentação dos presos que estiverem nas delegacias de polícia do Sul do Estado. A medida começa a valer a partir da próxima terça.
 
Apenas na região Sul, seis unidades prisionais estão parcial ou totalmente interditadas por superlotação ou condições insalubres, situação que se repete em 29 das 46 unidades de Santa Catarina. O Deap aponta que oito presídios estão em construção, o que deve gerar 3.477 novas vagas no Estado.

DIÁRIO CATARINENSE
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