Diretor do BC confirma indícios de cartel para manipular spreads de câmbio Elza Fiúza/Agência Brasil

Diretor de Política Monetária do Banco Central (BC), Aldo Mendes

Foto: Elza Fiúza / Agência Brasil

O diretor de Política Monetária do Banco Central (BC), Aldo Mendes, se pronunciou pela primeira vez sobre as investigações do BC e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica sobre um suposto cartel em manipulação de taxas de câmbio.

— Existem indícios muito fortes de operações em conluio — afirmou Mendes durante audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, da qual participa também o presidente do BC, Alexandre Tombini.

O diretor do Banco Central ressaltou que a ação dos operadores era uma tentativa de moldar o spread de câmbio e não a taxa.

As investigações do BC em harmonia com o Cade e baseadas em documentos disponibilizados pelo Conselho, segundo ele, ocorrem porque a concorrência estava levando ao encurtamento do spread, e, então, esses operadores resolveram conversar e tabelar para impedir a compressão do spread.

— Há indícios de que houve tentativa de tabelamento para evitar compressão dos spreads — ressaltou.

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O diretor ponderou que não há bancos brasileiros envolvidos, mas sim operadores brasileiros.

Sobre uma manipulação da taxa de câmbio, Mendes afirmou que "a taxa de câmbio no Brasil é 100% feita dentro do país". Para Mendes, o grande mercado de real contra dólar ocorre aqui dentro e não há liquidez fora do Brasil. Além das investigações que estão sendo realizadas pelo Banco Central e pelo Cade, há investigação em curso sobre práticas não competitivas no mercado de câmbio no exterior. Baseando as investigações em documentos disponibilizados pelo Cade à autarquia, Mendes reiterou que "há coisas que não achamos e que provavelmente não acharemos no documento".

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*Estadão Conteúdo

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