"Enquanto não acertarmos o fiscal, será muito difícil os juros caírem", diz Levy Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, fez nesta terça-feira um discurso bastante enfático sobre a necessidade de o governo, com o apoio da sociedade, promover o ajuste fiscal, durante participação na cerimônia de premiação do ranking Empresas Mais, elaborado pelo jornal o Estado de S. Paulo. Para o ministro, o desequilíbrio fiscal é a fonte de todas as incertezas na área econômica.

– Enquanto não acertarmos o fiscal, será muito difícil os juros caírem – disse.

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De acordo com Levy, a queda da inflação também está associada ao ajuste fiscal.

– Para a inflação cair, com queda dos juros curtos e longos, o fiscal precisa ser acertado – afirmou o ministro da Fazenda.

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Conforme o ministro, para o Brasil sair da crise, é preciso uma linha clara de ação, e o governo tenta transmitir isso.

– Como eu tenho dito, é a estratégia um, dois e três. Primeiro a gente acerta o fiscal, que é a maior fonte de incerteza para todo mundo, porque as pessoas não sabem como serão os impostos em um, dois, 10 anos. Tem de cortar onde tem de cortar, mas olhando com realismo e sabendo as mudanças profundas que certas economias vão requer, senão é apenas espuma. E o Brasil não aceitará espuma – comentou.

Os outros dois passos da estratégia, na visão de Levy, são o retorno de um crescimento saudável do crédito e a seguinte promoção de reformas estruturais.

"O maior risco é a procura de soluções fáceis"

O ministro lembrou da crise brasileira na década de 1980, com choques externos e incertezas políticas, que teve um custo muito alto.

– O objetivo atual é evitar o longo processo que teve naquela época. A gente sabe como foi um caminho difícil, o que foi até chegar ao default. Não tem motivo para achar que esse é o caminho agora, depois de tudo que já se fez – analisou.

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Segundo ele, nas crises anteriores, o Brasil não tinha o arcabouço institucional, inclusive na área fiscal, e também não havia a maturidade política atuais.

– O maior risco é a procura de soluções fáceis, mudando uma peça aqui e acolá e achando que vai resolver tudo – explicou.

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O ministro da Fazenda também lembrou que, quando um país passa por uma rápida desaceleração econômica, para acertar o cenário fiscal, é necessário "pensar em receitas".

– Outros países também recorreram a isso, pois as reformas e a diminuição de gasto demoram mais para acontecer, e precisamos ter uma ponte segura para chegar ao outro lado", observou.

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"Estamos nos preparando"

Para mostrar a importância de ter uma política fiscal clara, Levy comentou a turbulência nos mercados financeiros nos últimos dias, vista em função das dúvidas sobre a capacidade do governo para obter as receitas necessárias.

O ministro explicou que, além de medidas de curto prazo, também é preciso pensar em reformas estruturais.

– Temos de estar preparados, e o governo tem procurado isso, talvez com erros, acertos, mas é muito claro que estamos nos preparando – menciona.

Levy lembrou ainda que o Brasil passou por um choque importante nos termos de troca e que pode enfrentar turbulências com a normalização da política monetária dos EUA.

Para o ministro da Fazenda, o ajuste fiscal trará de volta a confiança dos empresários e, consequentemente, a retomada dos investimentos, que farão com que "os juros caíam lá na frente". Segundo Levy, o problema do Brasil não é a demanda, mas a oferta.

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"A reforma da Previdência não tira direito de ninguém"

Levy afirmou que é preciso garantir a previsibilidade da Previdência no longo prazo. Segundo ele, o governo já está fazendo isso, com a criação de um fórum de trabalho para discutir mudanças estruturais.

– O governo está criando consenso, porque é um tema pesado, grande – frisou.

Para Levy, é indispensável estabelecer uma idade mínima de aposentadoria para todos os regimes de Previdência.

– Nós temos que fazer uma reforma que dure 20 ou 30 anos e aumente a oferta de trabalho, até porque nosso bônus demográfico está acabando. É muito difícil crescer quando a força de trabalho diminui. A reforma da Previdência não tira direito de ninguém, ela aumenta crescimento, cria empregos – analisou.

Segundo o ministro, o governo está fazendo um esforço muito grande para garantir a manutenção dos vetos presidenciais no Congresso, inclusive com a aprovação de um projeto que alteraria um dos aspectos da política 85/95, que soma a idade com o tempo de contribuição dos trabalhadores.

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