Fórum aponta desafios de planejamento para as 'Cidades do Futuro' Rodrigo Philipps/Agencia RBS

Para os palestrantes, Joinville dá sinais de que começa a pensar como uma cidade do futuro

Foto: Rodrigo Philipps / Agencia RBS

No terceiro e último fórum do segundo dia do Encontro Econômico Brasil-Alemanha, o tema central foi o caminho turbulento que as grandes cidades tem em seu horizonte para se tornarem o que governos e empreendedores de todo o mundo chamam de "Cidades do Futuro".

Confira a página especial sobre o Encontro Econômico Brasil-Alemanha

Moderado pelo diretor de Política e Estratégias do CNI, José Coelho Fernandes, o encontro explicou que a maioria das grandes cidades de hoje só chegaram ao status atual devido ao empenho de empreendedores e estrategistas que, no passado, se dedicaram a pensar nas chamadas regiões planejadas — áreas que podem facilmente se adaptar ao crescimento populacional com proporções saudáveis entre a distribuição de renda, a viabilização de recursos naturais e disponibilidade de direitos básicos como saúde e educação. 

— Estamos encarando uma nova realidade que se transforma, é temos de entender que isso indica o início também de um novo ciclo, onde as nossas cidades precisam ser repensadas e replanejadas da estaca zero: daqui para frente — contou Fernandes.

Convidado para falar da relação entre gestão pública e privada, o prefeito Udo Döhler expôs detalhes que estão no Plano Diretor de Joinville, explicando como funciona o planejamento da cidade para os próximos 30 anos e destacando o Plano de Mobilidade Urbana da cidade, que de acordo com os conceitos para as Cidades do Futuro, é um dos principais pilares sobre os quais os governos precisam trabalhar.

O alemão Frank Zörner, diretor da BN Umwelt GmbH —  indústria da região Bávara que atua no ramo da inovação macroscópica — fez a comparação entre os 'bens' das cidades, como semáforos, trânsito, canos de água, e os bens das grandes empresas, para os quais os sistemas e programas da são desenvolvidos pensando na economia, autossuficiência e sustentabilidade das empresas.

Leia Mais:
Fórum de Inovação discute relações bilaterais de lucro entre Brasil e Alemanha
Dia de agenda cheia para os alemães que participam do evento
Claudio Loetz: Ministro assina acordo com alemães em Joinville
O que o Brasil pode aprender com o sistema de ensino alemão

A ideia é que este pensamento precisa ser absorvido pelos governos e posto em prática quando se pensa no ecossistema das cidades. 

— Precisamos construir cidades que se adaptem às necessidades dos seus cidadãos, mas antes não era possível porque não havia informação suficiente —, disse Zörner.

Zöner também destacou que em poucos anos a Terra terá 9 bilhões de habitantes nas cidades onde serão gerados 80% da produção de bens. As cidades do futuro, segundo ele, terão sistemas de energia sustentável, forte plano de crescimento, sistemas de reciclagem da água, amplo sistema de comunicação, produção, segurança, edifícios inteligentes, enfim, tudo de forma integrada. 

O CEO da AVG Cologne, Christoph Busch, discursou que existe ainda um outro capítulo na história das cidades inteligentes, que será escrito pelos cidadãos que usam aplicativos, sensores de fabricação própria, smartphones e a internet para cooperar com a resolução dos problemas da cidade.  

— Os dados liberados por estes cidadãos alimentam todo o sistema . É por isso que envolve-los no processo de melhora da qualidade de vida das cidades é crucial — defendeu Busch.

José Coelho Fernandes explicou, contudo, que a realidade é que a maioria dos projetos de cidades inteligentes é de pequena escala, como as iniciativas de geração de energia solar ou programas de compartilhamento de transporte, e que ainda há muito caminho pela frente.

— Cidades como Joinville mostram que existe um caminho que pode começar agora. Vivemos em um momento de mudanças e, em questão de poucos anos, as coisas serão incrivelmente diferentes. Serão os cidadãos inteligentes os que farão as cidades inteligentes — explica. ca.
A NOTÍCIA
 Veja também
 
 Comente essa história