Fórum de Inovação discute relações bilaterais de lucro entre Brasil e Alemanha Rodrigo Philipps/Agencia RBS

Fórum sobre inovação reuniu um bom número de pessoas na tarde desta segunda-feira

Foto: Rodrigo Philipps / Agencia RBS

Com a famosa expressão em latim "quid pro quo" que na Europa dá a ideia de uma troca justa e igualitária, o presidente da ZF América do Sul, Wilson Bricio, deu o tom do primeiro fórum desta segunda-feira (21) no 33º Encontro Econômico Brasil-Alemanha, que ocorre na Expoville, em Joinville: a relação de ganho e progresso entre empresas brasileiras e alemãs para garantir o crescimento sustentável e bilateral das economias. 

Com a presença de duas referências germânicas em pesquisa e inovação, o presidente de Desenvolvimento de Negócios Internacionais da FhG, Raoul Klingner, e o membro do Conselho da BDI sobre Pesquisa e Inovação, Norbert Lutke-Entrup, o fórum discutiu os principais desafios de se empreender em equipe, as dificuldades no entendimento do conceito de lucro bilateral e quais os modelos mais conceituados ao redor do mundo onde a receita de empreender em parceira deu certo.

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— Em uma pesquisa recente entre os grandes empresários e investidores brasileiros, foi perguntado em que economia eles se miravam quando pensavam em inovação, em desenvolvimento sustentável e tecnologia de ponta. Os Estados Unidos ficaram em primeiro lugar, mas, em seguida, e não tão distante assim, ficou a Alemanha. Isso já sinaliza uma predisposição do empreendedor daqui de criar laços com o empreendedor de lá — explicou Klingner.

De acordo com Norbert Lutke-Entrup, com uma população de 81 milhões, menos da metade da brasileira, a Alemanha tem um PIB per capita maior que o do Brasil, e a inflação do país europeu também é cerca de quatro vezes menor que a brasileira.


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— Enquanto a economia brasileira desacelera, não devendo crescer mais de 1,5% em 2015, a economia alemã está em curva ascendente. Isso, por outro lado, mostra que existe uma diferença de visão macroscópica, mas que pode ser aprimorada. A primeira coisa que o empreendedor do Brasil precisa ter consciência é que não pode existir um trabalho em equipe, que envolva duas empresas, onde só uma saia ganhando — disse o alemão.

Do lado de cá, o presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc), Sergio Gargioni, chamou atenção para o grande empecilho das taxas cobradas pelo governo. Isso porque, mesmo com taxas de investimento parecidas, na casa de 17% e 18% do PIB, não é possível colocar os dois países no mesmo patamar.

— A economia alemã é mais madura. Uma taxa dessas responde bem à reposição dos investimentos. Para o Brasil, que está em desenvolvimento, ela é muito baixa, porque, para crescer de 4% a 5%, o país precisaria que esse indicador fosse de 25% do PIB — explicou.

O mediador do encontro, Wilson Bricio, lembrou ainda que o desenvolvimento do país europeu é resultado de uma estratégia de longo prazo, onde reformas ocorrem desde a década de 1990, quando houve a unificação do País.

—  O custo da rolagem da dívida pública aqui é alto. A conta está em US$ 250 bilhões por ano, ou 5% do Produto Interno Bruto (PIB). Enquanto isso, a Alemanha não paga 1% — comparou, lembrando que, apesar de a carga tributária ser parecida nos dois países, lá a qualidade dos gastos é mais bem preparada, sem contabilidade criativa nas contas públicas.

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