Mais R$ 2,1 milhões são bloqueados em contas de investigados na Operação Ex-Câmbio Marcos Porto/Agencia RBS

PF apreendeu R$ 1,24 milhão e US$ 40 mil durante operação

Foto: Marcos Porto / Agencia RBS

O balanço da Operação Ex-Câmbio  — que desarticulou quatro organizações criminosas suspeitas de praticar crimes financeiros no Estado — continua aumentando. Ainda na terça-feira mais R$ 2,1 milhões foram bloqueados em contas de investigados pela Polícia Federal — ao todo, foram 87 contas bancárias bloqueadas. A ação mobilizou 280 policiais para cumprir 27 mandados de prisão, 68 de busca e apreensão e 10 de condução coercitiva em Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná. A suspeita é que os doleiros movimentavam US$ 600 milhões (cerca de R$ 2,4 bilhões) por ano.

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Quatro pessoas não estavam em casa no momento do cumprimento dos mandados de prisão. Porém, segundo a PF, os advogados dos investigados já teriam acertado a apresentação dos clientes à polícia. O centro da operação se concentrou em Itajaí, Balneário Camboriú e Dionísio Cerqueira, onde ocorreram 20 prisões.

Além disso, 20 automóveis, R$ 1,24 milhão em cheques e em espécie e US$ 40 mil foram apreendidos durante a ação; 37 imóveis também foram sequestrados. A Polícia Federal encontrou ainda dinheiro escondido em um urso de pelúcia.

O delegado chefe da delegacia de Itajaí, Alexandre Braga, informou que a investigação deve continuar nos próximos três meses. Nesta quarta-feira não teriam ocorrido novos desdobramentos da operação, conforme o delegado.

A operação

A investigação da Ex-Câmbio começou em 2011 com a apreensão de US$ 87 mil que estavam sendo transportados ilegalmente em Joinville. Depois, a polícia descobriu que dois grupos criminosos estavam no litoral e o inquérito foi instaurado em 2013 em Itajaí. Com a descoberta dos dois primeiros núcleos, a PF chegou a outros dois doleiros. A suspeita é que os crimes vinham acontecendo desde meados dos anos 2000.

De acordo com o coordenador da operação, delegado Christian Wurster, os grupos criminosos se travestiam de correspondentes cambiais e, através dessa fachada, atuavam como doleiros. A estrutura era usada para prática de crimes financeiros. Dois gerentes de bancos, conduzidos coercitivamente nesta terça para prestar esclarecimentos, atuariam em conjunto com as organizações. A polícia explica que eles auxiliavam os doleiros a administrar contas bancárias em nomes de laranjas.

A estimativa da PF é que o lucro dos doleiros chegasse a 1.000% sobre as transações. Já o perfil dos clientes era composto por pessoas físicas e jurídicas que tinham interesse em movimentar valores em dólar no mercado paralelo, mesmo pagando uma taxa um pouco mais alta.

Veja como funcionava o esquema milionário:

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