Melhorias em Araquari com a vinda da BMW estão em marcha lenta Rodrigo Philipps/Agencia RBS

Município tem muitas carências na área de infraestrutura urbana

Foto: Rodrigo Philipps / Agencia RBS

A instalação da BMW em Araquari sempre foi vista como um elemento para atrair empresas menores, o que impactaria na transformação urbana da cidade e na geração de emprego e renda.

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Conforme o secretário de Desenvolvimento Econômico de Araquari, Clenilton Pereira, desde o anúncio oficial da chegada da montadora à cidade, empresas menores começaram a querer se instalar na região e algumas até iniciaram obras.

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Passados 12 meses, entretanto, a carência de infraestrutura e o ritmo lento das obras são visíveis e mostram que há um longo caminho a ser percorrido para transformar a realidade urbana do município.

— Um ano, de fato, é pouco tempo para que a cidade sinta de verdade os efeitos da fábrica. Claro que a gente sempre espera que tudo mude muito rápido, mas a realidade é diferente. Araquari ainda sofre com um pouco de descaso por parte do governo do Estado, e acho que só poderemos começar a andar com as próprias pernas lá por 2018 — explica o prefeito João Pedro Woitexem.

O que anima a Prefeitura de Araquari, município que ostenta o título de “cidade catarinense que mais cresceu nos últimos quatro anos”, é o boom econômico. A receita, por exemplo, passou de R$ 34,3 milhões, em 2010, para R$ 102,9 milhões (previsão), em 2015, um avanço de 200%.

Além disso, mais de 150 empresas se instalaram na cidade no último ano, conforme dados do Ministério do Trabalho e do Emprego. Ter uma estrutura para comportar estes avanços tem sido o maior desafio da Prefeitura. Hoje, Araquari conta com menos de 10% de esgoto tratado e carências na distribuição de energia elétrica, que deverão ser supridas com a instalação de uma subestação da Celesc ainda em 2015.

O município tem problemas também na área da saúde. Apenas sete unidades de atendimento funcionam no município de 32,5 mil habitantes. A população espera ainda pela conclusão de uma escola estadual no bairro Itinga, que está orçada em cerca de R$ 7 milhões e deverá atender a 2,1 mil alunos.

Prefeitura é a que mais emprega no município

Ao contrário da vizinha Joinville, Araquari não carrega uma história ligada à indústria. A Prefeitura ainda é quem mais emprega no município, com cerca de mil servidores. A ideia era que quando a BMW alcançasse a marca de 1,3 mil empregos diretos, no auge de sua produção com segundo turno, se confirmasse a posição de maior empregadora do município.

— Ter trazido para a cidade uma fábrica cobiçada em todo o Brasil significa passar da condição de coadjuvante para a de protagonista. Contudo, é preciso saber gerenciar o que se tem em mãos e prever o que ainda vai entrar, uma tarefa que exige disciplina e paciência — explica o prefeito João Pedro Woitexem.

Uma das grandes demandas da cidade, o asfaltamento das vias, também não avançou no último ano, diferentemente das obras para garantir o abastecimento de água na região. Conforme Woitexem, essa foi a grande guinada da gestão em 2015.

— Com as obras que já foram feitas e as ordens de serviço já assinadas, vamos conseguir aumentar para 34% a cobertura de saneamento básico no município. Uma realidade que até o ano passado não passava dos 10% — afirma Woitexem.

O secretário de Desenvolvimento Econômico, Clenilton Pereira, estima que gerir o crescimento da receita municipal e definir os investimentos a curto, médio e longo prazos para a cidade serão os desafios do próximo governo.

— A minha parte foi feita na pasta de Desenvolvimento Econômico. As empresas estão vindo para Araquari e o capital deu um salto gigantesco. Mas preciso concordar com o prefeito que um ano é um prazo muito pequeno para que tudo isso seja refletido de fato para a comunidade. É um desafio da próxima equipe de governo — destaca.

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