Operação da PF desarticula grupo em SC que cometia fraudes na entrada de mercadorias no país Polícia Federal/Divulgação

Operaçaõ Shylock desrticula quadrilha que fraudava entrada de mercadorias no Brasil, via Dionísio Cerqueira, em Santa Catarina

Foto: Polícia Federal / Divulgação

Operação da PF desarticula grupo em SC que cometia fraudes na entrada de mercadorias no país. A Polícia Federal (PF) colocou em ação nesta quinta-feira a Operação Shylock, que visa desarticular um grupo criminoso que cometia fraudes nas entrada de mercadorias no Brasil. A base de autação dos integrantes era Dionísio Cerqueira (SC), no Extremo Oeste de Santa Catarina.

Além disso, havia ramificações em outras regiões do Estado. Paraná e São Paulo também faziam parte da rota de fraudes. Segundo a PF, o grupo constituia empresas de importação e exportação que faziam operação de comércio exterior fraudulentas. A intenção, de acordo com a polícia, era introduzir no país produtos com importações irregulares para aumentar os lucros.

- Eles importavam cargas subfaturadas, que pagavam menos impostos e assim lesavam a concorrência - disse o delegado Sandro Luís Bernardi.

Além disso as empresas criadas serviam de fachada para declarações falsas de conteúdo dos contêineres, importação de produtos falsificados, interposição de pessoas com ocultação do real importador, entre outras. Um servidor da Receita Federal teria sido cooptado, de acordo com a PF. Ele atuaria como chefe da Aduana de Controle Integrado de Cargas (ACI) de Dionísio Cerqueira.

A polícia acredita que ele facilitava a fraude através de ações como o redirecionamento de cargas suspeitas no sistema Radar, para garantir sua liberação, liberação de cargas com documentação suspeita, sem a devida conferência, Alteração irregular de dados nos sistemas informatizados da Receita Federal, para ocultar fraudes, dispensa de multas de aplicação obrigatória, entre outras.

De acordo com o delegado, cargas que entravam no porto de Itajaí, vindas da China, eram despachadas por Dionísio Cerqueira.

- Isso gerou uma desconfiança pois não fazia sentido uma carga fazer 1,6 mil quilômetros em vez de sair direto de Itajaí para São Paulo - explicou o delegado.

Muitas vezes as cargans nem "viajavam" até a aduana e ela liberada no papel.

O delegado disse que o funcionário da Receita Federal que foi detido direcionava as cargas para para o "canal verde", que não passa por fiscalização e, quando elas caíam no "canal vermelho" onde a documentação era analisada, ele redirecionava a fiscalização para ele mesmo.

Algumas cargas eram mascaradas como importação de capas de chuva para escapar da fiscalização.

Entre os produtos que eram importados irregularmente eram roupas e cerâmica.

- Em Curitiba foi apreendida uma carga de roupas falsificadas da China que eram vendidas como se fossem de marcas famosas como Lacoste e Dudalina - afirmou o delegado.

Na documentação o valor constava de R$ 104 mil mas foi avaliada pela Receita Federal em R$ 800 mil.

Mandados envolveram 180 policiais

Ao todo, estão sendo cumpridos 45 mandados de busca e apreensão, sete mandados de prisão preventiva, três mandados de prisão temporária e seis mandados de condução coercitiva. Também foram cumpridos mandados de sequestro de bens imóveis e apreensão de veículos. As ações dos 180 policiais federais e 22 servidores da Receita Federal ocorrem em Dionísio Cerqueira, Barracão (PR), Guarujá do Sul (SC), Itajaí (SC), Balneário Camboriú (SC), Itapema (SC), São Francisco do Sul (SC), Florianópolis (SC), Foz do Iguaçu (PR), São Paulo (SP) e Suzano (SP).

Os envolvidos responderão pelos crimes de corrupção ativa, corrupção passiva, associação criminosa, contrabando, descaminho, facilitação ao contrabando ou descaminho, advocacia administrativa, uso de documento ideologicamente falso, violação de sigilo funcional, inserção de dados falsos em sistemas de informação da Receita Federal, dentre outros delitos.

Os detidos em Santa Catarina serão encaminhados para unidades prisionais em São José do Cedro e Maravilha. Até o final da manhã apenas uma pessoa ainda não tinha sido ouvida.

Os nomes das pessoas presas não foram divulgados pela Polícia Federal.

DIÁRIO CATARINENSE
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