Órgãos de segurança e promotoria garantem estar conectados contra facções criminosas Diogo Vargas/Agência RBS

Entrevista coletiva no Ministério Público, em Florianópolis: "integração e ação".

Foto: Diogo Vargas / Agência RBS

Em uma entrevista coletiva na manhã desta terça-feira em Florianópolis, o Ministério Público de Santa Catarina, as polícias Civil e Militar e o Departamento de Administração Prisional (Deap) garantiram que os órgãos estão conectados e com os setores de inteligências integrados para enfrentar as facções criminosas, entre elas o Primeiro Comando da Capital (PCC), de São Paulo.

No ato, denominado como uma prestação de contas pelo promotor Alexandre Graziotin, coordenador do Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), as autoridades admitiram que é difícil impedir a ação de organizações criminosas, mas que há ações conjuntas sendo realizadas de monitoramento e enfrentamento.

Não havia na entrevista nenhum representante da Polícia Federal, que também investiga o PCC em Santa Catarina.

— Os órgãos de segurança estão unidos, com as inteligência atuando em prol das autoridades diante desse aumento latente das facções. Aqui se está atento, embora essa facção (PCC) alcance o Brasil inteiro — declarou Graziotin.

Na edição de domingo, o DC mostrou o avanço do PCC em várias regiões de Santa Catarina e a articulação de crimes como assassinatos em disputas por pontos de drogas. Há ainda, conforme a reportagem, líderes do bando paulista que atuam com lavagem de dinheiro no Estado.

62 prisões contra o PGC

Sobre o Primeiro Grupo Catarinense (PGC), Graziotin reforçou que foram decretadas em agosto pela Justiça 62 prisões preventivas contra bandidos que participaram da última onda de atentados, entre setembro e outubro de 2014.

Destes, 53 mandados foram cumpridos (39 já estavam presos) e nove pessoas ainda são procuradas pelo Estado.

Tanto o promotor do Gaeco quanto o diretor da Deic negaram que houvesse falta de integração na investigação dos atentados — houve apuração paralela por cada instituição.

Em presídios federais

Hoje, há 55 presos catarinenses estão em presídios federais como medida de segurança.

— A nossa vontade é que eles permaneçam até a unidade de segurança máxima ficar pronta — afirmou o diretor do Deap, Alexandre Camargo Neto.

O diretor se referiu a construção de um presídio de segurança máxima com Regime Disciplinar Diferenciado que vai ser construído na mesma área da Penitenciária da Região de Curitibanos, em São Cristóvão do Sul, no Planalto Serrano.

A obra prevê 106 vagas e já foi contratada pela Secretaria da Justiça e Cidadania ao valor de R$ 15,6 milhões.

Lavagem de dinheiro

Uma das formas que as polícias e a promotoria pretendem atacar novamente a estrutura do crime organizado, como o PCC, é por meio da parte financeira.

— Há ações em andamento no laboratório de lavagem de dinheiro da Deic, para que possamos obter o sequestro de bens — ressaltou o delegado Akira Sato, diretor da Deic.

Ataques individualizados

Moda entre criminosos e banalizados pelo Estado, os atentados a forças policiais nas ruas nem sempre são praticados a mando de organizações criminosas. Foi que afirmou o major André Luís Binder, comandante do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope):

— Temos que ter o cuidado na hora de vincular os delitos que acontecem às facções. Os criminosos se sentem ameaçados e cometem atentados individualizados. Não podemos falhar e colocar tudo na conta do crime organizado. A maior parte não tem ligação — acredita o comandante.

DIÁRIO CATARINENSE
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