O anúncio do pacote de R$ 66,2 bilhões em cortes e novos impostos pelo governo federal desencadeou reações negativas entre os catarinenses. O governador do Estado, Raimundo Colombo (PSD), se posicionou contrariamente à recriação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) mesmo com a presidente Dilma Rousseff pedindo auxilio dos governadores para aprovação no Congresso Nacional. Entre os empresários, a repercussão também não foi boa.

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— Não adianta continuar colocando gasolina no tanque que está furado — disse o presidente Acif, Sander de Mira, destacando que o aumento de impostos vai esfriar ainda mais a economia, que já está recessiva. Outra preocupação é em relação aos cortes nos investimentos.

O governo diz que as obras não paralisarão, mas os empresários demonstram preocupação de que não haja recurso para conclusão.

Adiamento ou corte de obras

A maior parte das reduções de gastos está em adiar ou cortar obras – já que em custeio a ideia é diminuir R$ 2 bilhões. Em SC, começam reações de cobrança para que conquistas dos últimos anos não voltem a ser apenas
promessas.

— A questão do PAC nos impacta fortemente. É extremamente ruim. Teremos que cobrar dos nossos representantes políticos a pela manutenção de obras importantes — diz Charles Schwanke, diretor-executivo da Associação Empresarial de Blumenau (Acib), lembrando da BR-470, que teve sua data de conclusão prorrogada por cinco anos.

Muito do pacote de R$ 66,2 bilhões que pretende garantir o superávit primário do ano que vem também não depende apenas do governo federal e precisa do aval do Congresso Nacional.

Outra medida de economia, sem “cortar na carne” do governo federal, foi o anúncio de realocar 30% das receitas do sistema ‘S’ e Sebrae — o equivalente a R$ 6 bilhões — para reforçar as contribuições previdenciárias. A proposta recebeu críticas contundentes do setor industrial catarinense.

— É uma indicação de que a educação deixou de ser prioridade. É uma interferência despropositada em recursos do setor privado, já que a contribuição que mantém o Sistema S é paga pelas empresas. Desmente o discurso de que o governo é favorável ao setor industrial — disse o presidente da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), Glauco Côrte.

DIÁRIO CATARINENSE
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