A partir da localização na segunda-feira de uma adolescente de 13 anos que estava desaparecida há oito dias e de informações levantadas pela Polícia Militar, a Polícia Civil começou a investigar um grupo formado por pelo menos 10 pessoas que aliciam meninas menores de idade e as mantêm em cárcere privado para exploração sexual na Grande Florianópolis.

De acordo com o major da PM Marcus Roberto Claudino, coordenador do Programa SOS Desaparecidos, há suspeita de que as ações criminosas do grupo possam ter ido além da violência sexual, inclusive com um possível homicídio de uma garota desaparecida em Santo Amaro da Imperatriz.

— Ainda não sabemos desde quando esse grupo age, mas acreditamos que seja há um longo período. As famílias precisam ficar atentas porque é uma prática que tem se repetido na região — alerta.

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Nesta quarta-feira, uma operação próxima do limite entre Biguaçu e São José, em região indicada pela jovem encontrada no início da semana como sendo o local em que os crimes eram praticados, resultou em apreensões de armas e drogas e em prisões, que ainda terão a possível relação com o aliciamento investigada.

A própria garota localizada na segunda-feira procurou a polícia em Biguaçu para contar sobre a violência que estava sofrendo. Ela estava em cárcere privado com mais três meninas e todas foram amarradas, tiveram os cabelos cortados com facas, foram drogadas e estupradas, além de serem filmadas em situações de vulnerabilidade sexual para que as gravações fossem usadas pelos bandidos como forma de chantagem. Elas eram impedidas de deixar a casa e a vítima que foi até a PM fugiu em um momento de descuido dos criminosos.

Conforme já apurado pela polícia, ao menos 10 pessoas, que seriam ligadas a uma facção criminosa, praticam esses crimes na região. Eles aliciam meninas menores de idade que moram ou estudam em áreas carentes da Grande Florianópolis, prometendo festas e diversão.

No caso da jovem encontrada nesta semana, ela foi por conta própria com os criminosos sem saber do que se tratava. De acordo com relato da adolescente à PM, há também meninas que ficam com os criminosos por decisão própria, se tornando olheiras do tráfico de drogas.

As investigações até agora indicam que, além de uma casa alugada no limite entre Biguaçu e São José, há outras residências usadas para as ações do bando em cidades da região que agora estão sendo monitoradas.

Nesta quarta, com base nas informações da vítima que fugiu segunda-feira, a PM foi até o bairro Morar Bem, em São José, e fez abordagens em três casas. A primeira, que seria o esconderijo onde as meninas eram mantidas presas, estava vazia, mas foram encontradas roupas e outros objetos de uso pessoal que indicam, segundo a polícia, uma fuga recente e às pressas.

Nas outras duas residências foram detidos cinco homens em flagrante — sendo dois menores de idade — por posse de armas, tráfico de drogas e manutenção ilegal de animal silvestre em cativeiro. O envolvimento destes rapazes com o aliciamento de menores e exploração sexual ainda será apurado.

Foram apreendidas uma pistola, dois carregadores da arma, 30 munições intactas calibre 9mm, aproximadamente 500g de maconha, 17 comprimidos de ecstasy, três balanças de precisão digital, dinheiro, um tubo de óleo lubrificante para limpeza da arma, material usado para embalar drogas, uma capa de colete tático, produtos provenientes de furtos e roubos, máscaras utilizadas em assaltos e um papagaio mantido ilegalmente em cativeiro.
DIÁRIO CATARINENSE
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