"Realmente há uma disputa de território", diz diretor da Deic sobre facções Cristiano Estrela/Agencia RBS

Akira Sato: " isso ocorre em razão da droga, do montante financeiro".

Foto: Cristiano Estrela / Agencia RBS

Designado pela Secretaria de Segurança Pública (SSP) para dar entrevistas relacionadas ao crime organizado, o diretor da Deic, delegado Akira Sato, não comenta sobre o Primeiro Comando da Capital (PCC), de São Paulo, em razão do sigilo de investigação.

Em torno dos conflitos entre bandidos, admite que estão aumentando as estatísticas pelo Estado, mas garante que a polícia tem intensificado as ações:

DC — Esses conflitos que têm ocorrido em SC são entre criminosos de facções?
Akira Sato —
O que podemos observar é que realmente há uma disputa de território pelo tráfico de drogas, em algumas situações brigas entre rivais faccionados e a população que não é causadora acaba sofrendo com toda essa criminalidade.

DC — Por que se chegou a essa situação de conflitos violentos, com tiroteios, como os ocorridos no Monte Cristo, em Florianópolis?
Akira —
A gente pode observar que isso ocorre em razão da droga, do montante financeiro. E é claro que abastecido e fomentado por outras razões de faccionados rivais, aumentando esses números estatísticos.

DC — Isso acaba se espalhando para outras cidades, se proliferando pelo Estado?
Akira —
Temos observado que nas maiores cidades, não só na região metropolitana da Grande Florianópolis, isso tem ocorrido com frequência, a exemplo de Joinville, Itajaí e Blumenau.

DC — Como fazer para combater cada vez mais o crime organizado em SC?
Akira —
Hoje se busca não só atacar o crime organizado, mas principalmente a parte financeira e econômica do crime organizado, para que eles não possuam futuro ou mais recursos para continuar a investir.

DC — O crime organizado atinge de alguma forma todas as classes sociais da população. Há represálias dos bandidos às pessoas em geral?
Akira —
Com certeza. Cada tipo de criminoso pode ter a sua forma de organização criminosa. Pode se observar, a exemplo do terrorismo que vem ocorrendo na área continental de Florianópolis, a depredação do patrimônio público nas ruas, a retirada de lajotas, de lâmpadas, ameaças veladas e diretas também à população, que acaba por não colaborar numa investigação policial por medo de represálias.

DC — A polícia vem intensificando ações nesse sentido pelo Estado?
Akira —
Nos últimos dois meses já foram diversas operações realizadas na região continental, especialmente na comunidade do Monte Cristo, entre outras de Florianópolis, e a finalidade é justamente trazer e resgatar a segurança pública local, não só com a repressão policial, mas principalmente com políticas públicas voltadas à ressocialização, pavimentação de ruas, troca da iluminação pública e a presença policial 24 horas.

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Diário Catarinense
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