Alagamentos e deslizamentos pontuais são a preocupação da Defesa Civil de Florianópolis se a previsão de fortes chuvas se confirmar nesta estação. As ações de prevenção do órgão têm se concentrado na drenagem da água da chuva em todas as regiões da Ilha, principalmente. O chefe do setor de atividades técnicas da Defesa Civil do município, Luiz Eduardo Machado, afirma que em parceria com a Secretaria de Obras, serviços de abertura e limpeza de valas e bocas de lobo estão sendo feitos para prevenir alagamentos.

Iminência do El Ninõ na primavera põe à prova sistemas de prevenção a eventos climáticos em SC
"O radar de Lontras está operando 100% normal", diz secretário da Defesa Civil

— Até novembro queremos finalizar esses reparos em todos os bairros. Há pontos crônicos que necessitam de macrodrenagem, como o Campeche e o morte da Ilha, mas vamos tentar retirar o material para que a água possa fluir rapidamente sem provocar transtornos aos moradores.

De acordo com Machado, nos últimos 10 anos os desbarrancamentos foram controlados com o Plano Municipal de Redução de Riscos, mas ainda há ocorrências pontuais, como no maciço do Morro da Cruz, nas áreas de encostas densamente povoadas.

— Os deslizamentos têm capacidade destrutiva muito grande e é a nossa primeira preocupação. As obras de intervenção nesses casos são muito mais complexas e levam tempo, mas consideramos essas ocorrências controladas no município nas últimas chuvas.

Moradores do Vale do Itajaí mantém estado de alerta aos fenômenos climáticos

Grupos para atuação são criados no Norte

As cidades da região Norte e do Planalto Norte do Estado apostam em planos de contingência para minimizar os danos caso ocorram desastres naturais nos próximos dois meses. Os municípios da região têm recebido apoio para a formação dos chamados Grupos de Ações Coordenadas (Gracs), voltados à integração e preparação de todos os órgãos relacionados à Defesa Civil em resposta a eventuais ocorrências.

Todas as cidades contam com equipamentos de informática próprios para o monitoramento das condições climáticas. Mas as coordenadorias regionais de Joinville e de Canoinhas também mantêm grupos no aplicativo WhatsApp e em outras redes sociais para que os representantes de todos os municípios fiquem em contato e troquem informações em tempo real.

Cabe às prefeituras a responsabilidade de repassar às comunidades os alertas emitidos pelas regionais. Municípios menores, que não contam com uma secretaria ou diretoria própria de Defesa Civil, obrigatoriamente têm um coordenador destacado para atuar na área.

— As cidades que não conseguem se estruturar, até por não haver grande demanda, podem recorrer à coordenadoria regional e à Defesa Civil do Estado em caso de necessidade. Também temos fomentado a ideia de os municípios criarem leis de auxílio mútuo para disponibilizarem seu aparato e material humano às cidades vizinhas se houver emergência — aponta Edson Antocheski, coordenador regional da Defesa Civil em Canoinhas.

Segundo Antocheski, kits de transposição de obstáculos foram distribuídos na região. São estruturas que permitem, por exemplo, a reposição provisória de uma ponte tombada. Famílias instaladas em áreas de risco de Canoinhas e de Três Barras já foram deslocadas para outras regiões.

O coordenador da regional de Joinville, Antonio Edival Pereira, destaca que os trabalhos de prevenção nos últimos meses incluíram mutirões de limpeza em rios e valas. Ações de capacitação em gestão de desastre também foram realizadas com as prefeituras da região.

— Atualizamos os planos de contingência dos municípios e temos feito simulados de emergência — reforça.

As cidades na regional de Joinville, diz Pereira, contam com leis de ajuda mútua para auxiliar municípios vizinhos.

RBS promove painel em Blumenau para discutir a prevenção contra fenômenos climáticos em SC

Informação é principal aliada da Defesa Civil

Para o coordenador da Defesa Civil de Itajaí, Everlei Pereira, manter a população bem informada sobre o que pode ocorrer na cidade é uma das estratégias do órgão. Por isso, mantém um serviço que dispara SMS para mais de 200 moradores em áreas vulneráveis, avisando sobre a elevação do nível dos rios.

— A Defesa possui ainda um sistema telemétrico que monitora o nível dos rios e disponibiliza a informação atualizada a cada 10 minutos em nosso site. Quando tivemos um princípio de elevação em 2013 a página recebeu 230 mil acessos. Isso nos mostrou que o serviço estava aprovado — comenta.

De acordo com Pereira, o órgão também mapeou mais de 1,3 mil casas em área de encosta para verificar o grau de risco e garantir precisão nas operações de prevenção. Em relação a obras, o coordenador explica que o município não tem o que fazer, pois os trabalhos são de responsabilidade do Estado.

Obras importantes ainda estão em fase de licenciamento ambiental: construção da barragem de Botuverá, duas comportas e a dragagem do rio Itajaí-Mirim curso antigo, e a construção de margem e aprofundamento do canal retificado do Itajaí-Mirim. Outro ponto que pode contribuir com as cheias é a paralisação da dragagem do canal do Complexo Portuário do Itajaí — porém, Pereira afirma que isso ainda não preocupa a Defesa.

DIÁRIO CATARINENSE
 Veja também
 
 Comente essa história