Renan recusa inclusão de veto a financiamento de campanha na pauta do Congresso Marcos Oliveira/Agência Senado/Divulgação

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O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) afirmou que vai manter a sessão do Congresso Nacional marcada para esta quarta-feira e destinada a concluir a apreciação dos vetos presidenciais. Renan disse que incluir o veto, que deve ser publicado nesta quarta-feira, seria inútil e que o país espera primeiro uma resposta a cerca dos vetos que já estão na pauta.

— A apreciação desse veto na sessão de hoje, quando o país espera que nós concluamos a apreciação dos outros vetos que foram destacados, seria um gesto inútil do Congresso Nacional, sem nenhuma eficácia — disse Renan durante entrevista a jornalistas no Salão Azul do Senado.

— Não podemos prejudicar o interesse nacional que pressiona legitimamente no sentido de concluirmos a apreciação dos outros vetos — afirmou.

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O gesto do presidente do Senado jogou um balde de água fria nas intenções do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB) que, numa manobra para permitir o financiamento empresarial de campanha nas eleições de 2016, queria incluir o veto na pauta da sessão, na intenção de derrubá-lo.

— Há um pedido reiterado do presidente [da Câmara] de que esse veto seja apreciado [nesta quarta-feira], o que é impossível, porque há uma prioridade que é a conclusão da apreciação dos outros vetos, estes, sim, estão pressionando o Brasil e precisam ser resolvidos — disse Renan.

Dilma veta financiamento privado de campanha

Um dos principais defensores do financiamento empresarial de campanha, Cunha chegou a "ameaçar" derrubar a sessão, considerada prioridade pelo governo por incluir o polêmico reajuste a servidores do Judiciário e também a extensão da política de reajuste do salário mínimo a todos os aposentados.

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A estratégia anunciada seria a convocação de uma sessão extraordinária da Câmara para o mesmo horário da sessão de votação dos vetos, o que impossibilitaria a sessão do Congresso, uma vez que a Câmara tem preferência.

— Se por algum motivo não houver a liberação do plenário [da Câmara, onde a sessão é feita], nós vamos manter a convocação para o momento em que for possível", disse Renan que afirmou ter disposição para fazer na parte da noite a sessão marcada para o final da manhã.

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Segundo Calheiros, incluir o veto na pauta seria desrespeitar o Regimento do Congresso que estabelece um prazo de 30 dias, a contar do seu recebimento pelo presidente do Senado.

— Nós não sabemos ainda quais os vetos que foram apostos pela presidente da República, o que torna impossível de apreciá-los hoje, porque seria um movimento inútil — disse.

— Do ponto de vista do entendimento do TSE [Tribunal Superior Eleitoral] seria uma espécie de confrontação, o que na prática não seria recomendado — acrescentou.

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