Santa Catarina é o quinto Estado do país em animais com pedigree registrado Betina Humeres/Agencia RBS

Cãezinhos ganham tratamento especial para o pelo

Foto: Betina Humeres / Agencia RBS

O Brasil é o segundo mercado de produtos e serviços para animais de estimação do mundo, atrás somente dos Estados Unidos. O faturamento do setor ocupa uma fatia do PIB maior que a das indústrias da linha branca (geladeiras e freezers). E em Santa Catarina, um dado chama a atenção: segundo a Sociedade Brasileira de Cinofilia (Sobraci), o Estado é o quinto do país em número de cães registrados, em outras palavras, com pedigree: um sinal de que os catarinenses estão dispostos a gastar com animais de estimação. 

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Prova disso é que, segundo Maximiano Gonçalves Neto, coordenador da PetPro Expo, realizada até ontem no Centrosul, em Florianópolis, o Estado tem 8 mil pontos de venda de produtos para pets, dos quais 2,5 mil são de lojas especializadas. SC tem mais petshops e veterinárias, entre outros, do que mercados, que somam 2,2 mil estabelecimentos, de acordo com a associação catarinense do setor.

 

Empresários catarinenses têm crescimento de 50% 

 

O perfil do público catarinense representa bem o que tem puxado para cima o faturamento do setor  no país, mesmo em tempos de crise. Depois que as moradias no Brasil se verticalizaram, com mais pessoas vivendo em apartamentos, o animal deixou o quintal de casa, entrou pela porta, e passou a dividir o sofá e a cama com os humanos. Esse movimento, como observa Gonçalves Neto, reforçou o papel do pet enquanto membro da família e criou demandas de serviços e produtos em torno desse universo.

Hoje, um kit de cauterização e blindagem para os pelos de cães e gatos não é muito diferente do aplicado no cabelo feminino. O produto integra a linha da empresa Therapet, de Blumenau. Há 10 anos, os sócios deixaram o emprego na multinacional alemã Bayer e, entre quatro alternativas de mercado, escolheram pelo da cosmética animal.


— Era um setor que crescia muito, menos burocrático que o da cosmética humana, e com um número menor de indústrias concorrentes — explica o diretor Luiz Claudio Sampaio. 

A aposta deu certo. Com produtos como shampoo sem sal, cremes de hidratação com protetor térmico contra as agressões do secador, dentro de embalagens sofisticadas, a Therapet registrou um crescimento de 50% no ano passado. O mesmo percentual de incremento nas vendas é esperado para 2015, ano de retração na economia.



Foco nos cães de pelo duro e na ala geriátrica

 

Dados da Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet), apontam que em 2014 os consumidores brasileiros desembolsaram R$16,7 bilhões com produtos e serviços para os bichos de estimação, aproximadamente 10% a mais que em 2013. 

Depois que os animais de estimação passaram a ser considerados membros da família, e uma variedade de produtos e serviços começou a disputar lugar no orçamento doméstico, o mercado brasileiro se consolidou e hoje busca se diferenciar. O presidente do Sindipet no Distrito Federal, Fernando Toniol, diz que a grande tendência de mercado é a segmentação. Segundo ele, um petshop que foca em uma especialidade, como o atendimento a gatos, ou na oferta de tratamentos inovadores, como por exemplo o de células-tronco, tem muita chance de dar certo.

 Toniol acredita que os segmentos com mais potencial hoje no Brasil são, na estética, o de serviços para cães de pelo duro, como schnauzers, scottish terrier e west highland white terrier, e na veterinária, o de geriatria. Este primeiro, ele explica, envolve uma série de técnicas que procuram manter a pelagem de certas raças áspera e o mais natural possível, próximo à função original.

Meu PET no DC: estimação pelo mundo animal

A feira Pet Pro Expo recebeu um especialista mundial em estética canina, o norte-americano Jonathan David, que cuida da beleza dos animais de estimação de celebridades internacionais como a cantora Mariah Carey e o estilista Ralph Lauren. Para uma sala com cerca de 30 profissionais da área, o especialista ensinou a técnica do hand-stripping, que dá aos cães de pelo dura a pelagem ideal de acordo com o padrão da raça. Neste tipo de tosa, os pelos que já estavam prontos para cair são arrancados, o que melhora o aspecto e a saúde da pele do cão. David ensinou a técnica com diferentes ferramentas: facas, dedos em pinça cobertos com material emborrachado e pedra-pomes. 

DIÁRIO CATARINENSE
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