Suposto serial killer confessa seis assassinatos em São Paulo MARCO AMBROSIO/ESTADÃO CONTEÚDO/

A polícia encontrou mais dois corpos na casa do pintor, dentro de uma casa em um beco da Favela Alba, nesta terça

Foto: MARCO AMBROSIO/ESTADÃO CONTEÚDO

O pintor Jorge Luiz Morais de Oliveira, de 42 anos, conhecido como "Monstro da Alba", confessou ter assassinado seis vítimas na casa onde vivia, na comunidade da Favela Alba, na zona sul de São Paulo. A Polícia Civil investiga se ele está ligado aos desaparecimentos de 30 pessoas registrados em boletins de ocorrência na região. Ao todo, sete corpos foram achados enterrados em sua residência.

Entre as vítimas que ele confessou ter matado estão o travesti Carlos Neto Alves de Matos Júnior e outras cinco mulheres. Segundo o advogado do suspeito, André Nino, Oliveira afirmou em depoimento que matou o travesti por legítima defesa. Já as outras vítimas — todas usuárias de drogas, segundo o pintor — foram assassinadas enquanto ele estava sob o efeito de entorpecentes.

Imagens mostram emboscada e execução de empresário no RS

De acordo com o delegado Jorge Carrasco, titular da 2ª Delegacia Seccional, o pintor assassinava as vítimas por esganadura com as mãos ou fios. Oliveira, que usava entorpecentes com as vítimas antes de matá-las, teria medo de que elas contassem para criminosos da Favela Alba que, no tempo em que esteve preso, ele era "oposição ao Primeiro Comando da Capital (PCC)".

— Por ele ter cumprido pena de homicídio por 19 anos, tinha um comportamento no sistema prisional de oposição a qualquer facção — disse Carrasco.

Polícia divulga imagens de assalto a supermercado na Cidade Baixa

O pintor conhecia as vítimas dentro de um imóvel abandonado na Rua Professor Emydio de Fonseca Telles. O local é conhecido como "Casa dos Noias". Segundo moradores da região, dezenas de viciados se reuniam no local desde o início do ano. Com o passar dos meses, a quantidade diminuiu. Os moradores acreditam que o acusado assassinou os dependentes químicos, hipótese que é investigada.

Após dividir o consumo de drogas, o assassino convidava as vítimas para ir até sua casa, em um beco a cerca de 200 metros do local. Lá, segundo a polícia, ele as matava e enterrava. Nesta terça-feira, equipes da perícia procuravam restos mortais sob o contrapiso do cômodo onde Oliveira morava. Também serão feitas buscas na casa dos pais e do irmão — no mesmo terreno — e na Casa dos Noias.

Quadrilha do tráfico tinha até degustador de cocaína

O advogado André Nino disse que ainda não estabeleceu uma linha de defesa para o indiciado. Apesar de confirmar que o cliente confessou parte dos crimes, ele diz que ainda não é possível afirmar se Oliveira é autor de todos os homicídios.

— Ele está muito confuso pelo uso de entorpecentes — declarou.

Desaparecidos

Na tarde desta terça, a dona de casa Fátima Dondoni, de 46 anos, foi ao 16º Distrito Policial (Vila Clementino) para tentar identificar o corpo do filho, o prestador de serviços Kevyn Dondoni, de 23 anos, desaparecido desde o início do ano. Ela disse ter identificado peças de roupa dele por meio de imagens de reportagens de televisão sobre o caso.

— Eu identifiquei a calça dele quando uma das pessoas que estavam lá mexeu nas roupas. Ele frequentava o lugar para cortar o cabelo e ver os amigos. Como as vestes batem, eu fui atrás — disse.

Leia todas as notícias sobre Polícia

Segundo a polícia, ainda não é possível confirmar se a identificação de alguns dos corpos ou ossos pertencem a Kevyn. Os restos mortais serão submetidos a exames de DNA. Por enquanto, a única vítima identificada é Carlos Neto Alves de Matos Júnior.

Igreja

O suspeito vivia em uma casa que divide o muro com a igreja evangélica pentecostal Cristo Reinará. Segundo o pastor Arquimedes Dias dos Santos, de 70 anos, o pintor aparentava ser uma pessoa normal.

— Isso que aconteceu com ele só pode ser efeito das drogas, que têm deixado a juventude louca. A gente falava para ele ir para igreja — disse o pastor.

 Veja também
 
 Comente essa história