Joinville registrou mais um final de semana violento. Três homicídios foram registrados em 48 horas, todos por arma de fogo. Até domingo, pelo menos 74 assassinatos ocorreram na cidade em 2015. Na sexta-feira, Wagner de Moura Santos de 21 anos foi morto por quatro disparos na rua Monsenhor Gercino. No sábado, outros dois homens — Jaime Gonçalves de 35 anos, e Rafael Sperandio, de 28 anos — foram executados no bairro Aventureiro. 

O primeiro assassinato ocorreu às 16 horas, no bairro João Costa, na zona Sul de Joinville. Ele estava caminhando na rua quando foi atingido por quatro disparos. Três suspeitos foram presos. Segundo a Polícia Militar, a vítima tinha passagens pela polícia por vários delitos e era traficante de drogas da área do Morto Clube, na zona Sul. A suspeita é de que o homicídio esteja relacionado a acerto de contas.

Já no homicídio de sábado, dois homens foram executados no bairro Aventureiro. Eles foram atingidos por tiros que partiram de um carro vermelho em uma lateral da rua Tuiuti, por volta 1h30. 

Um terceiro envolvido neste caso, um homem de 30 anos que foi ferido na perna, informou que não conhecia as vítimas, mas que parou para ajudar a consertar um carro no local. Como uma das vítimas, Jaime Gonçalves, era mecânico, a polícia trabalha com a hipótese de que ele tenha sido chamado por um cliente até o local, Rafael, e que este seria o verdadeiro alvo dos atiradores.

O drama da família Gonçalves



Enquanto ainda acontecia o velório de Jaime, a irmã dele, Ângela Gonçalves Alano, de 41 anos, teve um infarto fulminante. Ela foi levada para o Pronto Atendimento do bairro, mas veio a óbito. Ângela era sócia-proprietária da mecânica da família, que ela e o irmão herdaram do pai, Antônio Gonçalves. 

Segundo uma prima, Bruna Roberta Victorino Vieira, Ângela cuidou de todo o velório do irmão, desde o reconhecimento do corpo no Instituto Médio Legal até a escolha do caixão. Ela sofria de pressão alta e passou mal logo depois de dar o jantar ao seu filho de cinco anos.  

— Se não fosse a morte do irmão, Ângela não teria porque passar mal. Eles se amam muito e ela disse que sentia que Jaime estava pedindo para ela partir — afirma Bruna.

Ângela deixou marido e dois filhos, de cinco e de 17 anos. Jaime deixou esposa e uma filha de quatro meses. Segundo familiares, os pais estão em choque e sobreviveram aos velórios à base de calmantes.

— Eles perderam um filho há quase 30 anos por causa de um câncer. Agora, perderam os dois. É uma dor muito  forte — conta Bruna.

Ângela está sendo velada na Associação de Moradores Amigos do Castelo Branco, no bairro Aventureiro. Será enterrada no cemitério São Sebastião na segunda-feira, às 9 horas.

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