Faltando quase um ano para as eleições municipais, Itajaí já entrou no clima da disputa. Movimentações recentes em três dos principais partidos da cidade e a chegada de nomes com expressão estadual bagunçaram o cenário político local. A corrida pelo cargo de chefe do Executivo só terá nomes confirmados em junho de 2016, mas nos bastidores a expectativa é de que Paulinho Bornhausen (PSD), Volnei Morastoni (PMDB) e Décio Lima (PT) estejam entre eles.

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A mais recente mudança no cenário eleitoral ocorreu segunda-feira, quando Décio Lima confirmou a transferência de domicílio eleitoral para Itajaí. Nascido no município, o deputado federal — que já esteve à frente do Porto de Itajaí — garante que veio para fortalecer o partido, mas não descarta a possibilidade de candidatar-se a prefeito.

— Sou deputado até 2018, minha base é Blumenau, mas foi feito um debate de que eu poderia dar uma contribuição ainda maior com a transferência temporária de domicílio — explica.

A troca de domicílio era ventilada desde o ano passado, mas ganhou força com a filiação de Volnei Morastoni ao PMDB. Após 36 anos de militância, o ex-prefeito e principal nome do PT na cidade decidiu aceitar o convite do partido assinou filiação acompanhado pelo filho (e vereador) Thiago Morastoni. Da oposição passou a integrar a base governista, mas garante que as divergências já foram superadas. Volnei também não confirma a intenção de concorrer a prefeito, mas assegura que vai participar do processo:

— Não estou indo pra ser candidato. Quero participar do processo, nesse período tem que ser construída uma aliança, que não pode ser uma sopinha de letras. Já fui prefeito uma vez, se tiver que ser novamente vai ser com muito mais experiência — disse no início de setembro.

Dois meses atrás, outra notícia agitou os bastidores políticos: a mudança de Paulo Bornhausen para Itajaí. Em um post na rede social Facebook, o político afirmou que a decisão de viver no município havia sido tomada antes das eleições de 2014 — quando obteve expressiva votação para senador — e que teria sido uma opção de vida. Um dia após a transferência de Décio, Paulinho admitiu que estará envolvido nas próximas eleições municipais, mas evitou, novamente, afirmar ser pré-candidato por dizer que ainda não é hora para essas definições.

— Vou participar ativamente da eleição em Itajaí, não necessariamente como candidato. Não me sinto pressionado, mas convidado, algumas vezes convocado. Mas entendo que, na vida pública, tudo a seu tempo. Não se pode antecipar uma discussão — disse.

Cenário econômico é principal atrativo para políticos, diz especialista

O forte potencial econômico de Itajaí — que foi anunciada ano passado como o 1º PIB de Santa Catarina — é o fator que tem atraído políticos para o município, segundo avalia o coordenador do Instituto de Pesquisas da Univali, Sérgio Saturnino Januário. Para o sociólogo, historicamente Itajaí tem prefeitos vindos de fora, como o atual Jandir Bellini (PP), que é natural de Ponte Serrada, e Volnei Morastoni (PMDB), de Rio do Sul.

— Essa vinda do Paulo Bornhausen e do Décio Lima não é um problema. A cidade convive bem com isso. Não há crise de representatividade, a importância econômica de Itajaí é o que tem nos garantido crescimento e o atendimento de demandas, independente da força política — afirma.

Januário também argumenta que Jandir sempre foi um "líder carismático", o que pode ter impedido o surgimento de novas lideranças na cidade. Nesse contexto, políticos de fora ganham mais chances de se eleger. Segundo ele, Itajaí vive um momento decisivo e o próximo prefeito representará um marco em relação ao caminho que o município deve seguir.

— O Volnei terá que superar uma rejeição moral e partidária, enquanto o Décio precisa trazer uma novidade, não pode vir com um discurso petista. Já o Paulinho é ainda uma incógnita, mas ele representa um poder mais liberal — avalia.

O SOL DIÁRIO
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