O presidente palestino, Mahmoud Abbas, pediu neste sábado para que os Estados Unidos trabalhem para restaurar o status quo da Esplanada das Mesquitas, em Jerusalém, durante um encontro com o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, que também se reuniu com o rei da Jordânia.

Enquanto isso, a violência continuava: um palestino foi morto por disparos israelenses depois de tentar esfaquear um segurança de uma empresa privada em um posto de controle entre o norte da Cisjordânia e Israel, de acordo com a polícia israelense.

Com a morte do agressor, o saldo de palestinos mortos desde o início do mês subiu para 52.

Alguns destes palestinos foram considerados suspeitos em ataques que deixaram oito mortos entre os israelenses no mesmo período.

Kerry e Abbas começaram sua reunião pouco após as 6h (de Brasília) em Amã, onde o chefe da diplomacia dos Estados Unidos também se reuniu com o rei Abdullah II.

"Netanyahu mudou o status quo da mesquita de Al-Aqsa. Por isso, tanto nós como a Jordânia pedimos ao aliado norte-americano que restabeleça a situação (...) anterior", declarou Saeb Erakat, negociador-chefe da Autoridade Palestina, após o encontro entre o presidente Abbas e Kerry, que não fez declarações.

"Netanyahu joga com as palavras (...) e finge que a situação (de Al-Aqsa) não mudou", disse Erekat.

O porta-voz da presidência palestina Nabil Abu Rudeina, disse à AFP que Abbas insistiu em sua conversa com Kerry sobre "a necessidade de preservar o status quo histórico", em virtude do qual o Wafq, órgão jordaniano que administra bens religiosos muçulmanos, tem "a responsabilidade completa de Al-Aqsa há décadas".

Antes de iniciar a reunião, Kerry e Abbas expressaram a esperança de encontrar uma solução para acabar com a violência, num momento em que a comunidade internacional pressiona o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e a Autoridade Palestina, para evitar que a tensão se generalize.

"Não perdemos a esperança", disse Abbas em entrevista coletiva. "Estou cheio de esperança", reforçou Kerry.

É possível que durante o encontro, Kerry e o rei Abdullah II também falem sobre o conflito sírio, um dia após o anúncio surpresa feito por Rússia e Jordânia de que irão coordenar suas operações aéreas sobre a Síria.

O governo jordaniano apenas ressaltou que este acordo visa proteger as fronteiras com a Síria, ao norte do reino.

Na sexta-feira, novos confrontos foram registrados na Faixa de Gaza, onde jovens palestinos jogaram pedras em soldados israelenses perto da cerca de segurança ao redor do território. Os soldados responderam com tiros que deixaram 65 feridos, incluindo três jornalistas e quatro socorristas, de acordo com fontes médicas palestinas.

Na Cisjordânia ocupada, também foram registrados violentos confrontos entre o exército israelense e os palestinos, principalmente perto de Hebron. Vinte palestinos foram feridos por tiros, de acordo com os serviços de emergência palestinos.

Além disso, um israelense e suas duas filhas ficaram feridos na Cisjordânia quando seu veículo foi atacado por um coquetel Molotov, disse o exército israelense.

Ao mesmo tempo, os partidos políticos palestinos convocaram um "dia de ira" com um apelo de protestos depois das orações em Gaza e na Cisjordânia.

Em contrapartida, a situação era calma na Cidade Velha de Jerusalém, que dá acesso ao Monte do Templo. Cerca de 25.000 muçulmanos participaram da oração, superando a média de 10 a 15 mil normalmente, disse à AFP Sheikh Azam al- Khatib, diretor da fundação que administra a esplanada.

Manter o status quo

A Esplanada das Mesquitas em Jerusalém Oriental é uma das principais fontes de tensões entre israelenses e palestinos, já que além de ser o terceiro lugar mais sagrado do Islã é o local mais sagrado do judaísmo, que chama de Monte do Templo.

Está localizada em Jerusalém Oriental, parte de Jerusalém anexada e ocupada por Israel. É administrada por uma fundação islâmica sob a coordenação da Jordânia. Mas Israel controla o acesso.

Esse problema é apresentado como o centro do encontro entre Kerry e Abdullah, cujo país é o guardião da Esplanada, de acordo com o status quo de 1967.

Ambos palestinos e jordanianos acusam Israel de querer mudar os termos que regem o lugar e a divisão entre judeus e muçulmanos - acusação negada por Israel.

O quarteto formado por Rússia, Estados Unidos, União Europeia e ONU, fundado em 2002 para agir como um mediador no conflito israelo-palestiniano, pediu a Israel em um comunicado na sexta-feira que coopere com a Jordânia pela manutenção do status quo, segundo o qual só os muçulmanos podem rezar na esplanada.

Jerusalém, os Territórios Palestinos e Israel estão, desde 1º de outubro, envolvidos numa onda de violência.

* AFP

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