Acesso ao Complexo Portuário do Itajaí-Açu segue sem previsão de reabertura e prejuízo ultrapassa R$ 5 milhões Luiz Carlos Souza/Agência RBS

Canal de acesso ao Complexo Portuário do Itajaí opera com restrições

Foto: Luiz Carlos Souza / Agência RBS

O canal de acesso ao Complexo Portuário de Itajaí e Navegantes amanheceu mais uma vez fechado nesta quarta-feira. É o quinto dia consecutivo sem manobras no Itajaí-Açu e não há previsão para que as operações sejam restabelecidas. Com o nível do rio ainda subindo em Blumenau (estava acima de 6,8 metros pela manhã), a expectativa é de pelo menos mais alguns dias de correnteza forte e manobras suspensas. Com uma média de US$ 40 mil de prejuízo por navio a cada dia parado, e isso apenas para o afretador, nesta quarta o déficit já soma mais de R$ 5 milhões.

Canal de acesso ao Complexo Portuário do Itajaí-Açu opera com restrições

Na manhã desta quarta, além dos seis navios que já aguardavam para entrar nos portos e um para sair, outros três que tinham escala prevista chegaram. A preocupação é que, devido à falta de perspectivas de reabertura, os armadores decidam cancelar a escala e seguir para outros portos — o que pode potencializar os prejuízos, já que os terminais e a autoridade portuária perderiam em receita de movimentação e taxas.

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Também há custos de transporte, armazenagem e atraso no cumprimento de contratos, o que torna o dano total incalculável. É o maior impacto à economia catarinense causado pelas cheias — Itajaí e Navegantes respondem, juntos, por 70% do comércio exterior no Estado.

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Presidente da Associação Empresarial de Itajaí (ACII) e do Sindicato das Agências Marítimas e Comissárias de Despacho de Santa Catarina (Sindasc), Eclésio da Silva define a situação como "catastrófica".

Os prejuízos ocorrem em um momento em que o Porto de Itajaí, em especial, sofre com a perda de 50% das linhas e queda vertiginosa na arrecadação. Em nome das duas entidades de classe, Eclésio pediu à autoridade portuária que estude alternativas para aquisição de um correntômetro, equipamento que informa a velocidade real da corrente — um pedido antigo da Praticagem, que hoje afere a correnteza com equipamentos de superfície e "no olho".

A expectativa é de que o correntômetro possa alterar parâmetros para manobras e permitir operações em condições que, hoje, não são autorizadas.

Solução a longo prazo

Desde a enchente de 2008 discute-se a possibilidade de um canal extravasor que pudesse, em conjunto com as barragens no Vale do Itajaí, segurar a força da correnteza na foz. Uma das ideias, inclusive, era um canal extravasor em Navegantes.

A proposta fez parte do conjunto de ações apontadas pela agência japonesa Jica, mas não há prazo para que a avaliação seja concluída e a ideia possa ser colocada em prática. O canal faz parte da terceira etapa do plano de contenção de cheias no Vale e Foz do Itajaí.
DIÁRIO CATARINENSE
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