Pelo menos quarenta e três pessoas morreram na manhã desta sexta-feira em uma colisão frontal entre um ônibus e um caminhão no sudoeste da França, no pior acidente rodoviário nos últimos 33 anos no país.

A maioria das vítimas são pessoas de idade avançada que estavam em uma excursão. Os dois veículos se incendiaram imediatamente após a colisão frontal. Várias das vítimas morreram queimadas.

Permanecia a dúvida, nesta sexta, sobre o número exato de mortos no ônibus, pois a lista de passageiros permanece desaparecida.

O caminhão envolvido no acidente se dedicava ao transporte de madeira, mas no momento da colisão não levava carga. O motorista viajava acompanhado do filho de três anos.

A colisão ocorreu às 07h30 locais (02h30 de Brasília) na região de Puisseguin, a nordeste de Bordeaux, em uma estrada secundária sinuosa, cercada de vinhedos.

"É uma catástrofe espantosa", declarou o primeiro-ministro Manuel Valls, que chegou ao local do acidente ao meio-dia, junto aos ministros do Interior e dos Transportes, Bernard Cazeneuve e Alain Vidalies.

"O ônibus ficou totalmente carbonizado, assim como o caminhão", disse uma testemunha que acompanhou o primeiro-ministro no local.

A imprensa não podia ter acesso ao local do acidente devido à investigação em andamento.

O presidente francês, François Hollande, em visita oficial a Atenas, afirmou que o governo "está totalmente mobilizado por esta horrível tragédia".

Não se descarta que Hollande vá ao local do acidente após regressar da Grécia.

No ônibus viajavam 48 pessoas, contando com o motorista.

"O motorista do ônibus ficou levemente ferido. Teve o reflexo de abrir as portas para permitir que o máximo de passageiros saíssem do ônibus", declarou o prefeito de Puisseguin, Xavier Sublett, aos jornalistas presentes.

Segundo o prefeito, o motorista do caminhão perdeu o controle de seu veículo e invadiu a pista contrária, e o motorista do ônibus não pôde evitar o acidente.

"Depois da colisão, o veículo se incendiou rapidamente", disse à AFP o coronel Ghislain Réty, comandante de Gironde, que também agradeceu ao motorista pela rápida resposta.

"É um reflexo heroico, que pôs sua vida em risco (...) Foi ele quem os ajudou como pôde a escapar, a sair do veículo", contou à AFP Philippe Flipot, um médico que socorreu os feridos.

As autoridades também destacaram a conduta de um motorista que seguia atrás do ônibus e ajudou os feridos, quebrando as janelas para que as pessoas pudessem sair.

Curva perigosa

Oito pessoas conseguiram escapar das chamas. Quatro delas estão em estado grave, duas gravemente queimadas e duas com ferimentos na cabeça, e as outras quatro sofreram ferimentos leves, disse à imprensa o prefeito da Região de Aquitânia e do departamento francês de Gironda, Pierre Dartout.

"O lugar onde o acidente ocorreu é uma curva extremamente perigosa", disse o deputado ecologista Noel Mamère.

A investigação terá que determinar como o ônibus pôde se incendiar tão rápido, se for levado em conta que seu motor estava localizado na parte traseira.

O grupo de pessoas idosas, integrantes de um clube da terceira idade de uma pequena localidade de apenas 643 habitantes, havia saído cedo pela manhã para realizar uma excursão nos Pirineus Atlânticos.

"Perdi muita gente de um único golpe", lamentou Jean Solans, morador da cidade, que perdeu um irmão, um vizinho e vários amigos.

"Minha mãe e meu padrasto estavam no ônibus. Acabo de chegar, até o momento não tenho nenhuma notícia, temo que estejam entre os mortos", disse à AFP uma mulher, Delphine Guérineau, que acabava de chegar a Puisseguin.

Uma fotografia tirada por um habitante da zona e divulgada pela televisão francesa mostra o ônibus, fumegante, completamente incendiado.

Segundo o porta-voz do ministério do Interior, Pierre-Henry Brandet, "os socorristas enfrentam uma operação particularmente difícil".

Várias capitais deram seus pêsames pelo trágico acidente, entre eles o governo da Espanha, que transmitiu "suas mais sinceras condolências aos familiares das vítimas (...) e às autoridades da França".

Este foi o acidente ferroviário mais mortífero desde 1982 na França, ano em que uma colisão entre dois ônibus deixou 53 mortos, entre eles 44 crianças, em uma estrada de Dijon (leste).

* AFP

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