Adolescentes suspeitos de matar haitiano em Navegantes são levados para Caseps de SC Reprodução/Facebook

Corpo de Fetiere Sterlin será sepultado nesta sexta-feira

Foto: Reprodução / Facebook

Três adolescentes suspeitos de participar do assassinato do haitiano Fetiere Sterlin, 33 anos, foram apreendidos na tarde desta quinta-feira em Navegantes. Entre eles está o jovem de 17 anos que assumiu a autoria do crime e chegou a ser liberado por falta de vaga nos Centros de Atendimento Socioeducativo Provisório (Caseps) do Estado — o de Itajaí está interditado desde abril deste ano. O trio será encaminhado para as unidades de Joinville e Blumenau.

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Conforme a Polícia Civil, um adolescente de 14 anos também foi apreendido em função do crime, mas permanece solto por falta de vaga. O homem de 24 anos, preso na quarta-feira, já foi conduzido ao presídio da Canhanduba, em Itajaí.

O delegado Rodrigo Coronha afirma que a linha de investigação é a de homicídio qualificado por motivo torpe e sem condições de defesa. Na quarta-feira, após ouvir o adolescente que assumiu o crime, o responsável pelas investigações havia descartado a hipótese de crime de ódio. Porém, afirmou nesta quinta que a motivação ainda não está clara.

— Já ouvimos 14 pessoas, mas têm ainda muitas para serem ouvidas, entre elas a namorada do adolescente — acrescenta o delegado.

Adolescente confessou assassinato

O jovem de 17 anos que assumiu o assassinato contou à polícia que o haitiano teria assediado sua namorada e que os dois teriam discutido. Como o Fetiere estava em um grupo maior, o adolescente reuniu alguns amigos e retornou ao local onde estavam os imigrantes, no bairro Nossa Senhora das Graças, para um acerto de contas.

Conforme Coronha, o jovem ainda sustentou no depoimento que estava alcoolizado e foi agredido por Fetiere durante a discussão. A versão difere da relatada pela mulher da vítima, a brasileira Vanessa Nery Pantoja. Segundo ela, o casal ia a uma festa no bairro com amigos, também de nacionalidade haitiana, quando três pessoas passaram pelo grupo gritando frases em crioulo — entre eles, o termo "macici", gíria para gay.

— O meu marido disse apenas "macici são vocês". Isso foi motivo para eles o jurarem morte. Uns 10 minutos voltaram em umas 10 pessoas e foram pra cima da gente — conta.

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Para Vanessa, a versão contada pelo adolescente que assumiu a autoria do crime é mentirosa. De acordo com ela, quando ele passou pelo grupo estava acompanhado por outros dois jovens e não por uma mulher.

— Isso é mentira, é equivocado o que ele falou. Não existe essa possibilidade. Foi xenofobia sim, foi racismo. Tem cinco testemunhas para falar isso. Eles não chegaram discutindo, chegaram golpeando — garante.

Outro ponto que ainda precisa ser apurado é o roubo do celular que estava com Fetiere — o adolescente negou que o grupo tenha levado o aparelho.

Sepultamento será nesta sexta-feira

Quase uma semana após o crime, o corpo do isolador naval Fetiere Sterlin será sepultado nesta sexta-feira em um cemitério particular da cidade. O velório ocorrerá a partir do meio-dia na capela próximo a igreja matriz, no Centro. A previsão de enterro é às 15h.

Assassinado a facadas no sábado à noite, o corpo de Fetiere só foi liberado na tarde de quarta-feira pelo IML de Itajaí. A família também teve que aguardar o encontro de uma vaga em um cemitério de Navegantes.

O SOL DIÁRIO
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