Argentinos chegam às vésperas da eleição sem garantias de que vencedor sairá no primeiro turno Rodrigo Lopes/Agência RBS

Foto: Rodrigo Lopes / Agência RBS

Pela primeira vez em 12 anos, os argentinos chegam às vésperas da eleição sem a mínima condição de afirmar se haverá ou não segundo turno. Se nenhum dos seis candidatos vencer com margem suficiente no domingo, a balotage, como os argentinos chamam o segundo confronto, será no dia 22. Seria a primeira vez que os argentinos elegeriam o presidente no segundo turno – em 2003, Carlos Menem e Nestor Kirchner foram para o duelo, mas o primeiro acabou desistindo da corrida eleitoral antes do dia da votação.

Acompanhe o blog Rodrigo Lopes direto da Argentina

Para ser eleito domingo, o primeiro colocado deve conquistar 40% dos votos, além de uma diferença de 10 pontos percentuais em relação ao segundo. Outro requisito possível é 45% dos votos mais um. Daniel Scioli, da coalizão Frente para a Vitória, tem, em média 38% contra 28% de Mauricio Macri, da aliança Cambiemos.

VÍDEO: Scioli encerra campanha agradecendo a Cristina Kirchner por entregar governo em "paz social"

Ir para segundo turno seria um pesadelo para Scioli, o candidato de Cristina Kirchner. Estrategistas de campanha acreditam que, em um novo duelo, valeria a força do voto “anti-K”, ou seja eleitores de Macri se uniriam ao do terceiro candidato nas pesquisas, Sergio Massa, para vencer Scioli.

"Desconfiamos de qualquer estatística pública", diz empresário argentino da oposição

Desde as 8h desta sexta-feira, a Argentina está no período chamado “la veda”, quando ficam proibidas propagandas políticas em rádio e televisão e “vedadas” manifestações dos candidatos nas ruas. No entanto, nas redes sociais, a campanha segue. Não há uma lei eleitoral específica para a disputa política na internet.

Economista Batakis será ministra da Economia se Scioli for eleito

Os principais jornais do país destacam o encerramento da campanha. Scioli, que liderou um grande evento no Luna Park, defendeu em seu último discurso antes do domingo “continuidade com mudanças” — é uma tentativa de seduzir o voto independente. Garantido o apoio dos kirchneristas, para chegar aos 40% e ganhar no primeiro turno, o candidato precisa desta parcela da população que ainda não se decidiu. O prefeito de Buenos Aires, Mauricio Macri encerrou a campanha em Córdoba.

— Estamos a horas de mudar a história com nosso voto — afirmou.

Opositor Macri apoia protesto do campo na Argentina

Macri, apoiado por setores empresariais argentinos, também busca o voto de indecisos, capazes de, pelo menos, levar a disputa para o segundo turno. Mesmo que improvável uma aliança entre ele o terceiro colocado, o deputado Sérgio Massa, que diz representar o verdadeiro peronismo, a balotage pode significar o fim do kirchnerismo.





*Zero Hora

ZERO HORA
 Veja também
 
 Comente essa história