Assistência Social lança livro sobre trabalhadores de material reciclável em Joinville Maykon Lammerhirt/Agencia RBS

Pesquisa foi realizada no primeiro semestre de 2015 e entrevistou 601 trabalhadores

Foto: Maykon Lammerhirt / Agencia RBS

O livro 'Diagnóstico — Um Retrato dos Trabalhadores de Material Reciclável de Joinville' foi lançado nesta terça-feira pela Secretaria de Assistência Social (SAS) no salão nobre da Associação Empresarial de Joinville (Acij). A pesquisa foi realizada no primeiro semestre de 2015 e entrevistou 601 trabalhadores.

A este grupo, somaram-se mais 591 parentes dos entrevistados, por também se dedicarem a essa atividade, demonstrando o forte envolvimento familiar. São 1.192 pessoas envolvidas com o trabalho de reciclagem na cidade de Joinville e que vivem dessa renda. 

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A realidade salarial dos trabalhadores investigada na pesquisa apontou que 52% dos trabalhadores individuais ganham até um salário mínimo. Já os trabalhadores de unidades de reciclagem, que, apesar da informalidade, têm uma estrutura coletiva de trabalho, conseguem ganhar mensalmente de um a dois salários mínimos em 76% dos entrevistados, mostrando que a organização do trabalho traz maior lucro e renda.

Os trabalhadores individuais prevalecem nesta atividade: 49,8% dos entrevistados trabalham sozinhos. Apenas 18% estão ligados a alguma cooperativa ou associação, os demais são contratados por empresa particular.

Os homens são maioria na atividade, representando 59,9% dos trabalhadores. As mulheres predominam nas unidades de reciclagem (61,8%), e os homens, no trabalho individual (67,7%).

A faixa etária se concentra entre os 30 a 59 anos (63,2%), e 16% têm 60 anos ou mais. 

— Isso mostra que a nova geração não busca essa atividade — avalia o gerente da Unidade de Gestão e Fomento à Geração de Renda da SAS, Marcus Faust. Segundo ele, os bairros que concentram o maior número de trabalhadores são Paranaguamirim, com 80 pessoas na atividade, e o Aventureiro, com 72.

Outros dados da pesquisa: 75% dos entrevistados declararam que não consomem bebidas alcoólicas e 94,8% não usam drogas ilícitas; 61% possuem imóvel próprio quitado; 42,6% têm mais de quatro pessoas na família; mais de duas pessoas dormem no mesmo cômodo em 69,7% das residências; e 7% recebem Bolsa Família.

Atualmente, a Secretaria de Assistência Social acompanha cerca de 200 trabalhadores de material reciclável organizados informalmente em sete unidades de reciclagem, realizando atividade de triagem e comercialização. O material é entregue pela coleta seletiva municipal. 

O diagnóstico integra projeto aprovado pelo Ministério do Trabalho com o objetivo de proporcionar aos trabalhadores de Joinville possibilidades de organização e melhorias nas condições de trabalho. O livro apresenta as partes consideradas mais importantes de um relatório técnico que ajudará na definição de políticas públicas em Joinville, explica o gerente da SAS, Marcus Faust.

A Prefeitura, por meio das Secretarias de Assistência Social, de Infraestrutura Urbana (Seinfra) e do Meio Ambiente (Sema) incentiva a formação de cooperativas para a realização da atividade.

Projeto de lei complementar foi enviado à Câmara de Vereadores solicitando a ampliação de zoneamento para atividade de reciclagem e empreendimentos que contemplarão a categoria de trabalhadores identificados no diagnóstico.

O livro diagnóstico é assinado pela coordenadora da área de gestão e inclusão produtiva da Secretaria de Assistência Social, Ana Aparecida Pereira, e pela coordenadora técnica da Painel Instituto de Pesquisas, Fátima Mottin.

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