Casal suspeito de matar bebê em Blumenau vai aguardar julgamento em liberdade Gilmar de Souza/Agencia RBS

De acordo com a Polícia Civil, o próprio homem havia indicado o local onde o corpo foi enterrado

Foto: Gilmar de Souza / Agencia RBS

O casal de haitianos suspeito do homicídio de um bebê em Blumenau deve aguardar o julgamento do crime em liberdade. João Woody Joachin, 28 anos, e Bertina Milien, 22, tiveram o habeas corpus concedido pela Justiça e serão liberados dos presídios de Blumenau e Itajaí, respectivamente. Eles foram presos preventivamente no dia 17 de setembro, após a polícia encontrar o corpo do bebê recém-nascido enterrado às margens do Ribeirão Garcia, em Blumenau.

De acordo com os advogados Telêmaco Marrace, Mario Peluzo e Manuel Vieira, que trabalham na defesa do casal, o cancelamento da prisão preventiva foi aceito após a entrega dos passaportes dos suspeitos e o comprometimento em comparecer mensalmente ao fórum e não sair de Blumenau. Segundo Marrace, o flagrante efetuado pela Polícia Civil não era válido, pois havia sido feito quatro dias após o fato.

Com o casal em liberdade, os advogados vão contar com o auxílio de tradutores para formular a tese da defesa, já que Joachin e Milien não falam português. De acordo com o delegado Davyd Girardi, que investigou o caso, os dois foram indiciados por homicídio triplamente qualificado e ocultação de cadáver, com pena que varia entre 12 e 33 anos de reclusão.

Relembre o caso

Segundo a Polícia Civil, a mãe teria assassinado o bebê nascido dia 11 de setembro no Hospital Santo Antônio por não ter condições financeiras de sustentá-lo. O homem teria confessado a Girardi que a mulher asfixiou o bebê com um lençol que foi atado em volta do pescoço e ele enterrou o corpo nas proximidades de um campo de futebol na Rua Anchieta, bairro Valparaíso. A polícia começou a investigar o caso após o casal ter ido a uma unidade de saúde do bairro Garcia e informado o desaparecimento da criança. O Conselho Tutelar foi acionado e comunicou o fato à Civil.

No início do depoimento à polícia _ que foi feito com o auxílio de um tradutor _ a dupla chegou a afirmar que a criança teria tido um mal-súbito e morrido em casa. Após, teriam entregado o corpo do menino a uma pessoa que passava de carro em frente à residência, na Rua Ipiranga, no Garcia.

Segundo a mulher, o procedimento faria parte da cultura haitiana, assim como atar um pano em volta do pescoço do cadáver de um bebê. Na época, Joachin disse estar no Brasil há 10 meses. A mulher, desempregada, estaria há apenas 30 dias em Blumenau.
JORNAL DE SANTA CATARINA
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