Cidades do Vale fazem balanço preliminar dos danos causados pela chuva SAER/Polícia Civil

Em Rio do Sul, de acordo com a Defesa Civil, cerca de 3 mil pessoas estão desalojadas

Foto: SAER / Polícia Civil

No dia seguinte às chuvas que resultaram em alagamentos e deslizamentos em Santa Catarina, algumas cidades do Vale do Itajaí já estão coletando dados e fazendo análises para descobrir o tamanho do prejuízo. Segundo dados da Epagri/Ciram, entre as 18h da terça e 18h de quinta-feira os totais de chuva registrados em Santa Catarina ficaram entre 80 e 150mm nas regiões do Meio Oeste, Planalto Sul, Grande Florianópolis, Vale do Itajaí e Litoral Norte. Em algumas localidades nestas regiões os totais ficaram acima de 150 mm. Os totais mais elevados foram em Rio do Campo (194,6mm) e Ituporanga (182,8mm). A maior parte da chuva caiu entre a tarde da última quarta-feira e a madrugada de quinta.

Em Rio do Sul, de acordo com a Defesa Civil, cerca de 3 mil pessoas estão desalojadas e 735 permanecem divididas entre os 13 abrigos ativados na cidade. Destes, cinco estão lotados. De quinta para sexta-feira, 70 ocorrências de pessoas que precisaram ser retiradas de suas casas foram registradas pelo Corpo de Bombeiros. Dos 25 bairros do município, 22 foram atingidos pelas águas do Rio Itajaí-Açu, que chegou ao pico máximo às 7h de sexta-feira, com 10,71m.

Ituporanga contabiliza 32 famílias desabrigadas e distribuídas em três abrigos. Quanto aos desalojados, o número estimado pela Defesa Civil passa de 300. Praticamente todos os bairros foram afetados pela chuva, que também causou deslizamentos de terra em mais de nove áreas da cidade. Conforme informações de Moacir Cordeiro, coordenador municipal de Proteção e Defesa Civil, os problemas estruturais causados pelos alagamentos e desmoronamentos somam, por enquanto, R$ 2 milhões. Nos setores de agricultura, pecuária e pscicultura o valor do prejuízo sobe bastante: mais de R$ 85 milhões. Sábado a Defesa Civil pretende reavaliar a situação estrutural da cidade para que, se possível, as pessoas possam voltar para casa e o comércio retorne às atividades normais.

Sexta-feira de manhã, 30 pessoas ainda estavam nos dois abrigos ativados pela Defesa Civil de Brusque. Cerca de 12 bairros foram prejudicados pela chuva. A Ponte do Trabalhador, no bairro Santa Rita, teve uma rachadura na cabeceira e foi interditada, mas o problema já foi solucionado e o local está liberado para o tráfego de veículos e pessoas. O pico do rio Itajaí-Mirim foi registrado quinta-feira, às 15h45min, com 7,50m. Ainda de acordo com a Defesa Civil, foram mais de 100 pontos de deslizamento de terra. Nesta sexta, o comércio funciona normalmente.

Em Lontras a situação segue complicada. Jefferson Flores, coordenador da Defesa Civil, afirma que o Centro da cidade continua alagado e bloqueado para o trânsito de carros e pedestres. Ele salienta ainda que o acesso para Presidente Nereu só pode ser feito pelo interior do município. No total são oito abrigos ativados, 55 famílias desabrigadas e 73 pessoas desalojadas. Há pontos com ocorrências de queda de barreira em praticamente todos os 10 bairros atingidos pela chuva.

Márcio Farias, coordenador da Defesa Civil de Taió, conta que a cidade continua alagada em pelo menos cinco bairros. A barragem está com 22,35m e segue diminuindo, mas o rio Itajaí do Oeste ainda sobe e às 13h de sexta-feira chegou a 10,81m. Cerca de 100 pessoas ainda estão nos dois abrigos improvisados no município, e o comércio fechou as portas sem previsão de retorno. A maioria das pontes está coberta por água. No total, quatro ocorrências de deslizamento de terra foram registradas de quinta para sexta-feira.

Uma das cidades mais castigadas pela chuva, Rio do Oeste deve ficar com o comércio totalmente fechado pelos próximos 15 dias e os alunos só devem voltar às aulas em novembro. De acordo com a Defesa Civil, na quarta-feira o rio subiu para a casa dos 8 metros, na quinta desceu para a casa dos 7 e, depois de feita a limpeza da cidade, voltou a subir para os 10 metros. No total são 110 pessoas nos dois abrigos disponíveis, 870 desalojados e cinco bairros atingidos. Foram registrados vários pontos de deslizamento, estragos em pontes, bueiros e estradas. A Defesa Civil calcula prejuízos de cerca de R$ 300 mil.

JORNAL DE SANTA CATARINA
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