As empresas estão com muita dificuldade para fazer seus orçamentos para 2016. As razões são óbvias. O primeiro motivo é a ausência de clareza sobre o que acontece em Brasília, de onde aparecem boatos e fatos às pencas em relação a possível impeachment da presidente Dilma, ou sobre quando Eduardo Cunha entrega o comando da Câmara. Ambos engalfinhados no jogo pela preservação do poder.

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Os corredores e gabinetes de parlamentares no Congresso Nacional espreitam o futuro imediato. O ano de 2016 é uma incógnita do ponto de vista de vários indicadores macroeconômicos essenciais ao empresariado, ávido por informações e análises consistentes para embasar decisões estratégicas. Nunca é demais lembrar que todas as organizações – independentemente de tamanho e setor de atuação – têm compromissos com acionistas. O principal deles é planejar-se para buscar bons resultados trimestrais, semestrais e de todo o ano.

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Perseguir isso é rotina diária. E contínua. Agora, a lógica manda orçar para cima custos com combustível e insumos importados, mas, evidentemente, ancorado em dados atualmente disponíveis tanto quanto possível ainda que os percentuais possam estar ligeiramente inflados. Se os números não se confirmarem, melhor, porque haverá uma folga financeira, sempre desejável. Lógico, também, que as contas, agora sendo feitas, têm de ter rigor técnico orientado por premissas claras e tecnicamente inquestionáveis.

Enquanto os orçamentos são testados, até definição mais exata, mexer em processos, centralizar as operações de diferentes áreas, otimizar custos e agir pensando em perenizar as corporações compõem a lição básica de sobrevivência. O foco é, evidentemente, o lucro, fator central no capitalismo e que permite a expansão das atividades e o crescimento da fatia de mercado aos mais competentes.

Por isso, quando a compreensão do futuro imediato é contaminado com instabilidades de toda ordem, os sobressaltos tomam conta das mentes e cérebros daqueles que têm a missão de comandar. Para além da crise política, a influenciar a microeconomia com força, outros elementos tornam a vida dos planejadores financeiros inquietante.

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Um deles atende pelo nome de câmbio. Sim. A cotação do dólar, principalmente (e do euro, subsidiariamente), tem relação direta com o resultado de muitas e importantes companhias. O drama maior é daquelas que se abastecem de matérias-primas ou componentes em outros países, onde tudo custa menos do que no Brasil. Ao comprar itens e mercadorias dolarizados, mas as vendas têm de ser feitas em reais, para clientes no mercado interno, ocorre descompasso financeiro significativo que precisa estar contemplado nas planilhas.

Dada a grande desvalorização do real, cresce a distância entre os valores apurados nas aquisições e no processo de venda. Isso exige que o diretor financeiro e o diretor de planejamento – e suas equipes – façam contas até a terceira casa depois da vírgula, na tentativa de errar o mínimo quando formularem seus prognósticos, e assinarem estudos orçamentários conclusivos.

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