Com histórico de enchentes e quarto transbordamento do rio só em outubro, Rio do Sul vive rotina de reconstrução Felipe Carneiro/Agencia RBS

Enchente desta semana atingiu pico de 10,71 metros em Rio do Sul

Foto: Felipe Carneiro / Agencia RBS

Com três enchentes em quatro anos, a inundação faz parte de Rio do Sul, no Alto Vale, e está praticamente no DNA do riossulense sofrer com alagamentos do Rio Itajaí-Açu. Assistir a água subir, tirar móveis, limpar vitrines, esperar descer, limpar e recomeçar faz parte de um roteiro já conhecido.

Com três enchentes em quatro anos, Rio do Sul aguarda obras de contenção

Neste outubro de 2015, quando Rio do Sul enfrentou uma enchente com pico máximo de 10,71 metros, na sexta-feira, foram pelo menos outros três pequenos transbordamentos do rio. E tudo isso em um mês. Não há como fugir da conformidade. Essa cultura de força de reação se intensificou ainda mais depois de 2011. Naquele ano, os moradores viram a água subir até 12,96 metros, muito perto dos 13,58 metros históricos de 1984, e maior que 12,80 metros de 1983. Em 2013 ainda veio outra cheia, com 10,39 metros, pouco abaixo dos 10,71 deste outubro de 2015.

Força tarefa de Lages, Curitibanos e Tubarão chegam a Rio do Sul

Em Rio do Sul é difícil conversar com alguém que não tenha passado por enchente. E, até quem é novato em cheias, tem discurso de calejado.

— Erguemos as coisas em casa. Se não subir muito a água, perdemos o sofá, guarda-roupa e um balcão. Graças a Deus, a perda não é grande. Não tenha dúvida de que terei força para reconstruir — projeta Carlos Nazário, pernambucano que mora há um ano na cidade do Vale.

Mulher que perdeu o filho assassinado e há um ano agora tem casa destruída por enchente em Rio do Sul

Há também os que representam a história das enchentes em Rio do Sul. Denilson Schlickmann mora há 30 anos na cidade. Sofreu com as cheias de 2011 e agora, quatro anos depois, perdeu tudo. Até a cancha de bocha que ajuda no ganha-pão da família. Pai de três filhos, Denilson agora dá mais sinais de um calejado da enchente.

— Ah, vou me mudar. Agora vou sair de lá onde pega água — diz com ar de quem aprendeu um lição que estava escrita desde 1983.

 

Geografia contribui para reincidência

O mesmo Rio Itajaí-Açu que levou colonizadores a Rio do Sul, iniciando a ocupação do Alto Vale do Itajaí é o que surge como motivador entre a população. A posição geográfica da cidade, construída ao redor do rio faz com que as pessoas tenham de conviver com a inconstância das águas e dificulta que construções estruturais no município minimizem os problemas.

O Estado bem que tentou reduzir os impactos. Elevou em dois metros o vertedouro da barragem de Taió e ampliou a capacidade de armazenamento da barragem de Ituporanga, cidades acima de Rio do Sul no leito do furioso rio. Como outra alternativa, a Defesa Civil estadual projeta construir outras barragens de contenção de cheias em municípios como Mirim Doce, Petrolândia e Braço do Trombudo, onde a água poderia ser contida antes de atingir Rio do Sul. No entanto, as obras nesses locais ainda não iniciaram e estão na fase de projetos e audiências públicas.

Enquanto elas não saem do papel e a situação não melhora, Rio do Sul e seus moradores seguem na sina de calejados há espera do alerta para que possam iniciar outra vez o rito da enchente. Amparados pela solidariedade do amigo, vizinho, irmão, contam com isso para seguir em frente.

DIÁRIO CATARINENSE
 Veja também
 
 Comente essa história