Com três enchentes em quatro anos, Rio do Sul aguarda obras de contenção Felipe Carneiro/Agencia RBS

Foto: Felipe Carneiro / Agencia RBS

Os moradores de Rio do Sul, no Vale do Itajaí, veem o nível do rio Itajaí-Açu baixar e começam a pensar em quando vão retornar às suas casas. Reconstruir já tem se tornado uma rotina na vida dos moradores da cidade: em 2011 e 2013, outras enchentes deixaram a cidade debaixo d'água.

Em 2015, mais de 700 pessoas continuam nos abrigos para onde foram levadas quando o rio atingiu o pico de 10,71 metros na noite da última quinta-feira. Em 2013, o número de desabrigados também beirou os 700, quando o rio alcançou 10,39 metros.

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Mas, segundo o secretário estadual da Defesa Civil, Milton Hobbus, a situação neste ano poderia ter sido pior do que a vista em 2013 e do que realmente foi. O acumulado de chuva que caiu sobre a bacia do Alto Vale do Itajaí alcançou um recorde histórico e foi cinco vezes maior do que o previsto para todo o mês de outubro.

— Desde o início deste mês, a previsão indicava que o rio chegasse a 10 metros, próximo de Rio do Sul, em outras duas oportunidades. Com os controles das barragens conseguimos segurá-lo em sete metros. Mas ontem (quinta-feira), foi muita chuva em pouco tempo. Não deu tempo de aliviar os reservatórios, nem o leito do rio — explica.

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Novas obras estão em análise para tentar evitar que a mesma situação se repita e faça com que os moradores tenham que sair de suas casas mais uma vez. Um plano de ações que abrange o Alto Vale do Itajaí gira em torno de R$ 700 milhões e tem a pretensão de abrir algumas licitações ainda neste ano.

É o caso das barragens de Petrolândia e Mirim Doce. As duas obras que ajudariam a diminuir a vazão de água para o rio Itajaí-Açu em momentos de muita chuva já estão com os projetos prontos e aguardam liberações ambientais para abrirem o processo de licitação. Uma vez finalizado esse processo, a previsão é de dois anos para a conclusão.

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Outra obra contemplada no plano de ação é o melhoramento fluvial do Rio Itajaí-Açu, do momento em que ele corta Rio do Sul até Salto Pilão, em Lontras. A ideia é aprofundar o leito em oito pontos e assim aumentar a sua capacidade. O projeto foi concluído nos últimos dois meses e já tem financiamento do PAC reservado. A previsão é de que todos os estudos estejam prontos em junho até 2016.

— Todas essas obras, mais o projeto do canal extravasor em Itajaí e Navegantes e outras pequenas barragens têm essa ideia de ajudar o controle de água e evitar essas catástrofes. E não é só uma dessas obras que vai ajudar, tem que ser o conjunto — aponta Hobbus.

DIÁRIO CATARINENSE
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